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| Vista da Matriz da Conceição, tendo como coadjuvantes, à direita, o Relógio Municipal, e, ao fundo, o Teatro Amazonas e a igreja de São Sebastião. |
domingo, 6 de abril de 2014
Manaus, amor e memória CLIV
sábado, 5 de abril de 2014
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Entrevista ao Jornal do Comércio
Entrevista concedida por Zemaria Pinto ao jornalista Evaldo Ferreira, publicada no dia 28 de março de 1014, lembrando os 50 anos do poema "Estatutos do Homem", de Thiago de Mello.
1. O que
significou o poema Estatutos do Homem para a poesia do Amazonas, do Brasil e
até do mundo?
R: O poema “Estatutos do Homem” é um canto de liberdade e um chamado à
libertação. Ainda hoje, funciona como uma autêntica lição de cidadania, em
qualquer língua, em qualquer parte do mundo. Seja sob Putin ou Maduro.
2. Que
outros poetas fizeram poesias tão contundentes como “Estatutos do Homem”
durante aquele período negro acontecido no Brasil?
R: Houve toda uma vertente de poemas de cunho político nos 25 anos de
ditadura. João Cabral de Melo Neto, Affonso Romano de Sant'Anna, Alex Polari,
Paulo Leminski e o pessoal da chamada “geração mimeógrafo”... Entre tantos, são
muito expressivos os poemas de Ferreira Gullar, de quem eu destaco “Dentro da
noite veloz” e “Poema sujo”.
3. “Estatutos
do Homem” teria sido o ápice da criatividade de Thiago de Mello?
R: Não. Embora isso não o diminua, é interessante notar que “Estatutos...”
é um poema de circunstância, escrito no calor da hora: um contraponto ao Ato
Institucional No. 1, repleto de ironia e humor. Hoje, nós vemos isso. Naquela
época, era uma reação indignada contra o golpe militar. Na minha opinião, os
poemas mais expressivos de Thiago de Mello estão no livro De uma vez
por todas, de 1996, onde ele faz uma súmula de tudo o que fizera até então –
é o livro da maturidade, uma espécie de testamento poético.
4. Como esse
tipo de poema funciona contra um ditador já que eles são pessoas tão duras e
desprovidas de sentimentos humanos?
R: Não funcionam. A poesia é feita para o povo, não para os ditadores. A
poesia é um reflexo do pensamento popular, uma manifestação do anseio popular.
O ditador de plantão trabalha para sufocar esse anseio e calar os poetas.
5. Hoje, sem ditadura, que poesia está precisando
ser feita, ainda que não seja por Thiago de Mello?
R: A poesia
brasileira vive um vazio criativo. O que se vê é muito formalismo tolo e uma
dor de cotovelo banalíssima. Reflexo, com certeza, da falta de mobilização
popular. Aquele movimento do ano passado arrefeceu. As pessoas preferem ficar
em casa, vendo a porcaria do big brother... A poesia política ainda tem vez,
entretanto, não contra o ditador, pois vivemos, bem ou mal, numa democracia –
mas uma poesia que questione o estar-no-mundo. Nos anos 60/70/80 não havia,
como hoje, a consciência ecológica, por exemplo, e as questões de gênero e de
preconceito continuam atuais. As minorias continuam minorias. Isso precisa ser
questionado, em alto e bom som.
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Cidade organizada e saúde pública
João Bosco Botelho
Na sociedade grega, especialmente na do
século 4 a.C., políticos compreendiam a necessidade de organizar as cidades à
semelhança dos corpos saudáveis, como se fossem organismos vivos. Ao contrário,
a desorganização, causando tensões na maior parte da população, gerando ou se
aproximando do caos, era considerada sinônimo de doença.
Aos gregos daquele tempo não seria possível
administrar a cidade com competência satisfazendo as aspirações coletivas de bem-estar
se as doenças de qualquer tipo fossem prevalentes. O administrador, o político competente,
estava identificado, de modo obrigatório, naquele que poderia curar os sinais
de qualquer desordem no ritmo urbano, capaz de determinar prejuízo às pessoas,
impedir o sossego coletivo, as trocas comerciais e as relações com as ideias e
crenças religiosas.
Tanto na administração laica do político
quanto na dos sacerdotes e sacerdotisas, no mundo mágico da adivinhação
oracular, a passagem da ordem (saúde) à desordem (doença), envolvendo mudanças
nas coisas e nos acontecimentos, implicando riscos à saúde e à vida, estava
claramente em polos opostos.
O poder de curar pessoas e sociedades, evitando
a enfermidade e adiando a morte, tem sido historicamente utilizado pelo poder
político, como mecanismo de coesão e controle social. Nessa esteira, sem
dúvida, exigida pelos cidadãos nos quatro do mundo, obrigam que os
administradores e políticos tanto nos macros quanto nos microssistemas,
continuamente, como primeira obrigação, ofereçam à cidade médicos, hospitais, ambulatórios
resolutivos e de fácil acesso, que são sempre mostrados à população como provas
da competência gerencial. Desse modo, como na Grécia do século 4 a.C., hoje,
respeitando as devidas proporções, construir hospitais, ambulatórios e
contratar médicos continua sendo mostrado aos eleitores como indicativo de que
podem confiar nesse ou naquele político.
É possível teorizar que esse elo motivador
para a consolidação dessa extraordinária associação entre competentes sistemas
de saúde e boa administração pública também esteja relacionado com as
compreensões da morte. O sofrer e a morte da pessoa amada determinam
transtornos complexos, em diferentes níveis do corpo, trazendo incontáveis
sinais físicos de desconforto, variando em cada pessoa. O sistema nervoso
central libera substâncias que alteram o ritmo biológico e interferem para
amenizar a baixa da defesa imunológica inata. Esse terrível padecer, também entendido
como sensação de perigo iminente, provoca mudanças nos ciclos do sono, da fome,
da sede, da libido e da afeição. Logo, o político que consegue transmitir a
mensagem pública de que consegue amenizar esse sofrimento, por meio da oferta
de hospitais, ambulatórios e médicos, invariavelmente, é identificado como
confiável.
Continuando a teorização, parece lógico pressupor
que as atitudes específicas, usadas no enfrentamento da dor temida, minorando o
sofrimento do homem e da mulher, tenham sido valorizadas e, continuamente,
aperfeiçoadas pela ordem social. As ações humanas transformando a natureza para
atenuar o desconforto, são imperativas! Estão ligadas diretamente aos
mecanismos neuroquímicos que modelam e controlam todos os corpos dos seres
vivos, em especial, os humanos.
Na atualidade, a compreensão da sociedade
organizada sem as dores da miséria dos deserdados que clamam por água e comida,
como na Grécia antiga, está ligada aos políticos que zelam pelo bem público e
buscam solução para curar os sofrimentos.
quarta-feira, 2 de abril de 2014
terça-feira, 1 de abril de 2014
Da admiração pelos sábios – Thiago de Melo
Tainá
Vieira
Admirar,
respeitar uma pessoa, seja ela mais velha ou mais nova do que você, é naturalmente
normal. Acredito que todo ser humano tem como exemplo muitos ídolos ou
espelhos, como preferirem, leitores, para guiar-se, para seguir. Já ouvi muitas
pessoas dizerem “quando crescer quero ser como fulano de tal”. Eu muitas vezes
já disse isso. Se fosse homem eu queria ser como Luiz Bacellar, como sou
mulher, quero ser como Vânia Pimentel. No entanto, é tão difícil ser igual ou
parecido como uma outra pessoa, o que nos resta fazer é assimilar os exemplos
de cada pessoa querida e tentar formular a nossa própria personalidade, pois é
fato que não sobrevivemos sozinhos e quanto mais
aprendermos, mais andarmos nas boas companhias, muitos mais ganharemos. Conheço
inúmeras pessoas, que os denomino como sábios, com essas pessoas eu sempre
aprendo alguma coisa: nada, nem um aperto de mão é em vão.
Imagina
se seria em vão uma conversa com Thiago de Melo. Só um louco para dizer isso.
Eu já o presenciei falando, declamando, várias vezes, e, até já conversei com
ele algumas vezes, e confesso que toda vez que falo com ele, eu me perco, pois
não sei como agir, a admiração e o respeito que ele merece é maior do que
qualquer palavra. Não é medo que sinto, é uma mistura de coisas, é como se ele
fosse inalcançável para uma conversa com um leitor seu. Ele tem o hábito de
olhar nos olhos da pessoa com quem está conversando, como se estivesse lendo o
pensamento e vendo se essa pessoa está realmente lhe ouvindo, prestando atenção
nas suas palavras.
E
isso é algo bom, o autor não olha para o seu leitor com inferioridade, não o
diminui, ele faz com que a pessoa se sinta maior, mesmo sabendo que ela não é.
E eu acredito que o olhar nos olhos das pessoas, do Thiago, seja algo natural. Sim
pois, vejamos. Olhar é o que marca, é o que diz tudo sobre uma pessoa, ou tudo
sobre o que essa pessoa faz. Ninguém acredita num médico que receita remédios
ou exames a um paciente sem examiná-lo. E há muitos desses médicos por aí,
basta chegarmos a eles e apenas falarmos o que estamos sentindo e nem sequer nos
olha, vai logo fazendo a receita ou prescrevendo o exame. Isso é fato do cotidiano, isso é uma
atrocidade e desrespeito com a vida.
Mas
eu falava do poeta Thiago de Melo, que escreveu o Estatutos do Homem e muitos outros poemas que marcaram a vida e a
história de milhares de pessoas. Eu falava do poeta de um país chamado
Amazônia, que fez dos rios, da fauna, da flora e da vida, inspiração para seus
versos mais belos. Artigo 3, fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassóis
em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da
sombra; e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, abertas para o verde
onde cresce a esperança. Imaginem, esses versos foram escritos há cinquenta
anos. Daqui a cem anos eles permanecerão tão atuais como hoje. Porque sempre
haverá girassóis para abrir-se; sempre haverá janelas para abrir-se e por toda
a eternidade a esperança insistirá em crescer nos corações de muitas e muitas
gerações. Thiago é um homem que conhece o coração do homem, que tem um coração
de 88 anos de idade, mas que bate com a força de um menino de 8 anos, que tem
nos sonhos a vontade de mudar o mundo, que tem na alma a sensibilidade e a ternura
que a humanidade perdeu há muito tempo. Ele é como se fosse um menino, daquele
que não se diz herói, daquele que não precisa fantasiar-se com roupas de super-heróis,
e sim aquele menino que aprendeu desde cedo que o amor ao próximo, ao seu irmão,
é mais importante do que qualquer coisa, se ele não tivesse aprendido isso, não
cantaria em seus versos para muitas pessoas. É um homem que faz da palavra uma
arma contra os dissabores do mundo, pode-se comprovar isso no poema Canção para os fonemas da alegria, é uma
prece sobre o ato de ensinar e aprender. Thiago é um poeta que faz do seu oficio de
escrever a maior de todas as artes.
É
por isso, que o admiro, que o reverencio como poeta, como homem, como se fosse
irmão, pois ele, ao olhar nos olhos das pessoas, permite que nos tornemos seres
humanos capazes de lutar não só pela nossa vida, mas pela vida de outras
pessoas. E como podemos fazer isso? Perguntam vocês, leitores. E eu lhes digo,
certa vez, quando Thiago de Melo foi convidado a falar para alunos de um curso
preparatório para o vestibular, e eu era uma dessas alunas, ele disse-nos o que
já tinha dito a tantos outros alunos, ele falava de transformar o mundo com poesia,
com a palavra. E sempre os alunos
perguntavam como era possível mudar o mundo com isso, e ele sempre respondia
que a poesia muda as pessoas e as pessoas mudam o mundo. E isso é fato. Tanto é que estou aqui,
falando sobre um dos mais brilhantes poetas do universo, e tenho, assim como
milhares de pessoas, sua poesia como oração nossa de cada dia.
segunda-feira, 31 de março de 2014
Lábios que beijei 16
Zemaria Pinto
Amarílis
(Para continuar a leitura, acesse o blog Poesia na Alcova)
domingo, 30 de março de 2014
Manaus, amor e memória CLIII
sábado, 29 de março de 2014
sexta-feira, 28 de março de 2014
Academia Amazonense de Letras promove painel sobre os 50 anos do Golpe Militar
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Com o fornecimento de energia elétrica restabelecido, A Academia de Letras segue com sua programação
previamente divulgada.
Sábado, 29.03, Arlindo Porto faz conferência sobre D.
Frederico Costa, antropólogo que divulgava suas ideias científicas através de
boletins paroquiais, que ele chamava de Pastorais. Paraense, D. Frederico foi o
primeiro bispo do Amazonas.
Na segunda, dia 31.03, haverá uma painel sobre o
golpe militar de 1964. A seguir, um release,
que a imprensa irá ignorar, claro.
No dia 31 de março de 1964 o
presidente João Goulart era deposto por um golpe militar. As forças
ironicamente autointituladas “revolucionárias”, comandadas por oficiais das
três armas, tomaram o país, contando unicamente com a resistência apaixonada de
Leonel Brizola, no Rio Grande Sul, o que não se sustentou por muito tempo.
O Congresso, submisso e covarde, acatou
o golpe e deu posse ao Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, que assumiu
a presidência da República prometendo que o período de exceção seria o mais
breve possível.
Somente 25 anos depois,
entretanto, o Brasil voltaria a ter eleições livres para presidente. Para
eleger um canalha. Mas essa é uma outra história...
Nesse intervalo de um quarto
de século, o país passou por um dos períodos mais sombrios desde a
Independência e a mais longa interrupção dos direitos civis de sua história.
Censura, tortura,
assassinatos – os mais terríveis crimes foram cometidos em nome da ordem
democrática. De outro lado, guerrilheiros, em sua maioria jovens que ainda nem
haviam passado pelo primeiro emprego, lutavam em uma guerra desigual,
derrotados antes do primeiro disparo.
A Academia Amazonense de
Letras, como espaço de debates e de exercício da cidadania, em parceria com a
ManausCult, promoverá no próximo dia 31 de março, segunda-feira, às 19h, no seu
Salão do Pensamento Amazônico, um painel com a participação de acadêmicos que,
de uma forma ou de outra, tiveram suas vidas marcadas por esse acontecimento
histórico.
Sob a coordenação da socióloga Marilene
Corrêa, estarão presentes, dando o seu depoimento, os seguintes acadêmicos:
- Bernardo Cabral: deputado
federal cassado;
- Arlindo Porto: deputado
estadual cassado;
- Aldisio Filgueiras:
jornalista e escritor censurado;
- Elson Farias: secretário de
Estado no governo José Lindoso.
O poetator Dori Carvalho fará
um recital com poemas marcantes do período, inclusive Estatutos do Homem, do acadêmico Thiago de Mello, que foi mandado
ao exílio pela ditadura.
O evento será aberto à
sociedade amazonense, e aos estudantes será concedido um certificado de
participação, de duas horas, que poderão ser usadas como horas complementares
em suas faculdades.
A Academia Amazonense de
Letras fica na rua Ramos Ferreira, 1009, esquina com a rua Tapajós, no centro histórico de Manaus.
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quinta-feira, 27 de março de 2014
onde um dia portho city
Marcadores:
A poesia é necessária?,
Sergio Cardoso,
Zemaria Pinto
Sábado na Academia acontece, mesmo sem energia elétrica
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| Arlindo Porto fará conferência sobre o antropólogo e ex-bispo do Amazonas D. Frederico Costa. |
Ontem foi um dia para ser esquecido na Academia Amazonense de Letras.
Por falta de pagamento - neste ano, nem estado nem município repassaram as verbas de manutenção da AAL -, a Manaus Energia, cujos dirigentes e gerentes não devem ter a mínima noção do que seja a Casa de Adriano Jorge, cortou o fornecimento de energia elétrica.
O bravo presidente Armando de Menezes está fazendo o impossível para reverter a situação.
Mas, se até a hora da palestra de Arlindo Porto, ex-presidente da Casa, a situação não estiver normalizada, a palestra acontecerá mesmo assim: com as janelas abertas e o vozeirão de Arlindo a ecoar no salão do Pensamento Amazônico.
Para saber mais sobre o Sábado na Academia, clique aqui.
A fome, a medicina dos ricos e a medicina dos pobres
João Bosco Botelho
Há muito tempo
existe o reconhecimento das diferenças entre a Medicina dos ricos e a Medicina
dos pobres e, entre as duas, a fome como marco divisório. Onde há fome, seja a
qualitativa ou a quantitativa, predomina a ausência ou a pouca escolaridade, as
doenças infecciosas mais frequentes, maior violência e a vida mais curta. Na
mesma esteira, tem sido assinalado que o tratamento médico dispensado ao rico é
sempre melhor que aquele recebido pelo
pobre.
Algumas
semanas atrás, ouvimos o Dr. Antonio de Pádua, Conselheiro do CRM-AM, explicar
que se comparados aos ricos, os pobres gastam muito mais dinheiro para iniciar
o tratamento ambulatorial ou hospitalar. Proporcionalmente ao salário do rico,
para comprar os remédios prescritos em uma receita, o doente pobre gasta mais
da metade do ganho mensal; se hospitalizado, desfalca a renda familiar. Essa conclusão
impactante está contida na "lei da inversão dos cuidados de saúde",
de Julian Tudor Hart, publicada na prestigiada revista The Lancet, em fevereiro de 1971.
A questão não
é nova! De modo contundente e jocoso Platão, em duas referências, (Leis, 857
c-d e Leis, 720 c-d), denunciou a diferença entre os atendimentos médicos entre
ricos e pobres: enquanto para os doentes ricos, os médicos dispunham de tempo
e gentileza para explicar, vagarosamente, o tipo de doença e as prescrições; para
os pobres, as consultas eram rápidas, sem qualquer esclarecimento.
É
possível teorizar que o marco divisório entre a Medicina dos pobres e a
Medicina dos ricos seja a fome! Como nos tempos de Platão, os famintos de
comida são os mesmos que estão longe da justiça social; também sem
escolaridade, penalizados. A fome permanece como a mais trágica fábrica dos deficientes
físicos e mentais, das violências urbanas e injustiças sociais.
No Brasil, mesmo com os esforços
institucionais, despontando entre as primeiras economias do mundo, em muitas áreas
do território, tanto nos centros urbanos quanto nos interiores, as crianças têm
expectativa de vida semelhante às da Etiópia e Uganda.
Essa triste
realidade é conhecida dos médicos e dos estudantes de Medicina. No cotidiano convivem
com as doenças da fome e sabem que a miséria retratada na face disforme da
criança faminta não tem solução nos medicamentos. Na maioria das vezes, os
pequenos doentes conseguem sair vivos da diarreia amebiana para retornarem, poucos
meses depois, com pneumonia mortal.
A fome que
distancia a medicina dos ricos e a medicina dos pobres, no Brasil, será
atenuada na mesma proporção da fiscalização do dinheiro público e das decisões políticas
capazes de aumentar ainda mais o acesso ao alimento de boa qualidade, à educação,
moradia, águia potável e esgoto sanitário.
Nas últimas
semanas, a mídia nacional noticiou o médico que faltou ao plantão no hospital
público no Rio de Janeiro. Como consequência, uma criança pobre, que brincava
na porta da casa, vítima de bala perdida, na periferia urbana, em coma, esperou
oito horas pela cirurgia, seguida da morte três dias após. Não importa se os
ferimentos fossem graves para determinar o óbito com ou sem a cirurgia! A vítima da estúpida agressão, retrato das
áreas urbanas onde a fome predomina, deveria ter sido submetida a cirurgia no
menor tempo possível. As ausências não justificadas dos profissionais de saúde,
nos hospitais e ambulatórios públicos e privados, causando ou não prejuízos à
saúde dos doentes, obrigatoriamente, precisam ser apuradas ética e
administrativamente. Não há dúvida desse fato!
Também é
importante assinalar que a esmagadora maioria dos médicos, no Brasil, cumprem
árduas jornadas de trabalho com ética e competência, nos hospitais e
ambulatórios públicos e privados, executando diariamente dezenas de milhares de
consultas e cirurgias (os dados estão acessíveis no SUS), possibilitando a
reconstrução da saúde de ricos e pobres.
Os médicos como
agentes sociais, não são responsáveis pela fome que mantém a distância entre a
medicina dos ricos e a medicina dos pobres, referidas desde os tempos
platônicos. Por outro lado, esse pressuposto, sob nenhuma hipótese, desobriga os
médicos de manterem a qualquer custo a essência da medicina: a generosidade, o
mais importante instrumento capaz de aproximar a medicina dos ricos da medicina
dos pobres.
quarta-feira, 26 de março de 2014
terça-feira, 25 de março de 2014
Armando e Almir, dois meninos
Tainá
Vieira
Durante todo esse tempo
em que eu comecei a conviver com o meio literário, tive a oportunidade de
conhecer pessoas incríveis. Só que não são apenas pessoas comuns como outras
quaisquer, são nomes da literatura que fazem valer a pena todos os eventos
culturais que frequentamos como espectadores e admiradores. Parece brincadeira,
mas existem pessoas que acreditam que todos os escritores e poetas estão mortos.
Tem gente que até se assusta quando se depara com um escritor em um momento
descontraído ou num lugar comum, para essas pessoas que pensam assim, os
escritores devem ficar somente nos escritórios ou bibliotecas, lendo e
escrevendo. E se fosse assim, a vida dos pobres mortais seria um tédio. A minha
pelos menos seria. Pois onde buscaríamos conhecimento na fonte pura? Os livros
escritos pelos escritores são excelentes, conhecemos a fundo a vida de um
escritor apenas lendo a sua biografia, mas é muito melhor quando temos a
oportunidade de tocar no escritor, para ver se ele é de verdade mesmo, melhor
ainda é quando nos sentimos bem e rimos muito das conversas que ouvimos deles,
e mais ainda quando podemos chamar um escritor, de amigo, isso é coisa rara.
Armando de Menezes e
Almir Diniz, ambos pertencem a Academia Amazonense de Letras, são escritores e
dos bons, eu diria. São também pessoas encantadoras. Eu, não sei se somente eu,
mas já consegui, ao meu simples olhar, formar duplas inseparáveis como Thiago
de Mello e Luiz Bacellar e Armando de Menezes e Almir Diniz. Os dois últimos
são dois meninos, daqueles que as mães têm o orgulho de chamar “meu filho”. São
bem criados, educados e gentis, e, quando estão juntos, aliás, vivem grudados,
são as criaturas mais simpáticas que queremos por perto. Imaginemos a cena, os
dois sentadinhos um ao lado do outro, conversando e rindo. E, como irmãos, um
brigando com o outro, o mais velho puxando a orelha do mais novo. O mais novo
enchendo o saco do mais velho. Na vida real, são amigos, mas para nós, que
estamos de fora, são mais que irmãos.
Irmãos mesmo, daqueles bem apegados, em que um cuida do outro, assim são
os dois, Armando e Almir, até aparece coisa do destino os nomes dos dois começar
com a letra A, a primeira letra do alfabeto. Tenho certeza que isso não foi por
acaso. Teve algum propósito aí, coisas que os deuses da literatura fizeram.
Sorte de quem tem a
oportunidade de conhecer e conviver com esses sábios senhores. Sêneca fala
sobre as boas companhias, sobre os amigos, “a eles em qualquer lugar, em
qualquer século que tenham existido, dirijo o meu espirito.” Quão bom seria se
todos os jovens soubessem aproveitar a oportunidade de conversar, trocar uma
palavra apenas com esses senhores que muito têm a nos ensinar. E eles sabem de
tudo, desde a História até uma simples piada.
E tudo vale a pena ouvir e assimilar. Hoje em dia os jovens não querem
estar juntos de um velho, preferem outras companhias, nem sabe esse jovem o quanto
ele perde com tal escolha. Nem imagina esse jovem o conhecimento que está
recusando e que mais tarde lhe fará falta. Armando e Almir, têm muito a ensinar
e muito sorriso para colocar na face das pessoas. Basta que nós saibamos lidar
com eles. É preciso aproveitar as boas companhias, a vida é breve, o tempo
urgentíssimo e a sabedoria infinita e os sábios também são passageiros neste
lugar, mas o conhecimento que eles trazem, se quisermos, permanecerão por
muitas e muitas gerações. Vida longa ao Armando de Menezes e ao Armir Diniz,
meus amigos, dois lindos meninos.
domingo, 23 de março de 2014
sábado, 22 de março de 2014
sexta-feira, 21 de março de 2014
Entrevista para "Ideias editadas"
Entrevista concedida a Jorge Bandeira, para a revista Ideias editadas, onde foi publicada, editada, no
nº 10, de out/nov/dez de 2013.
1
– Quais são as suas influências como dramaturgo?
R:
Ainda adolescente, ou quase, caiu-me às mãos a coleção Teatro Vivo, da editora Abril, uns 30 volumes. Foi um novo mundo
que se descortinou. Mas nada me deixou mais em transe que a leitura das obras
completas de Nelson Rodrigues e, depois, de Brecht.
2 – Quantas peças escritas, até agora?
R:
Até hoje, concluí oito peças. Quatro foram encenadas (Nós, Medeia, Diante da
Justiça, Papai cumpriu sua missão
e O beija-flor e o gavião); duas
estão em fase produção (Otelo solo e Onde comem 3 comem 6); Duas aguardarão
inéditas (Cenas da vida banal e A cidade perdida dos meninos-peixes).
3
– Quais das suas obras você destaca?
R:
É difícil falar de filhos; mas gosto muito de Nós, Medeia e dos dois juvenis: O beija-flor e o gavião e A
cidade perdida dos meninos-peixes. Estas duas foram reescritas para
sair em livro, como novelas juvenis.
4
– O que tem feito hoje nas artes?
R:
Depois de 3 anos envolvido com A invenção
do Expressionismo em Augusto dos Anjos, livro lançado em março passado,
escrevi Onde comem 3 comem 6, um
espetáculo para ser levado na rua, que o Grupo Vitória Régia está produzindo.
Além disso, tenho palestras diversas, minicursos e participação em
congressos de Literatura.
5
– O que acha da arte produzida hoje em Manaus?
R:
Fazer arte é um processo; no meu caso, como escritor, o trabalho é individual,
só depende de mim mesmo; quando um grupo resolve encenar alguma coisa minha – trabalho
coletivo – é que me dou conta de como tudo é muito difícil; mas nunca foi fácil
fazer arte: nem aqui nem em lugar nenhum. Detesto dizer que já foi melhor: é uma
perspectiva falsa. Talvez daqui a 20 anos a gente ache hoje um tempo muito bom.
Quer dizer: sempre pode piorar...
6
– Seus blogs?
R:
O Fingidor, poesia e artes
plásticas, está parado há dois anos, mas até hoje ainda recebe mais de
2.000 visitas/mês. O Palavra do Fingidor,
uma revista de arte, resiste. E tem o Poesia na Alcova, do qual, aliás, quero extrair uma peça – com os meus poemas e de
mais 4 jovens autores.
7
– O que acha da política cultural do Amazonas?
R:
Acho graça!!!
8
– O que tem acompanhado nas artes em Manaus, no Brasil, no mundo,
enfim?
enfim?
R:
Não fico um ano sem ir a São Paulo, que não tem culpa de ser o centro da
colônia, ver o que há de novo, especialmente no teatro. Porque, apesar de tudo,
como diria Galileu, ela se move...
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