Amigos do Fingidor

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Zona de Guerrilha Franca



Zemaria Pinto


70 – Intervenção militar, já.

71 – Fazia tempo que eu não via/ouvia tanta infâmia, tanta ignomínia juntas.

72 – O movimento dos caminhoneiros – incentivados pelos próprios patrões, o que é mais que um paradoxo: é um escracho, uma esculhambação só – é um movimento de Cabos Anselmo.

73 – Mas os imbecis que pedem intervenção militar jamais ouviram falar de Cabo Anselmo, o marinheiro que incendiava as massas, a serviço dos quartéis.

74 – Massa de manobra, que ignora as condições históricas que levaram à ditadura de 1964 e às ditaduras que a precederam e as que a sucederam – na América Latina, na Europa, na África.

75 – Temer é um Golem, a serviço da babaquice reinante.

76 – Vai que um general ou mesmo um coronelzinho qualquer leva a sério essa reivindicação estúpida e deslocada no tempo e na história.

77 – Se estamos 20 anos atrasados, como a voz oficial proclama, atrasaremos mais 50 anos, deixando no pórtico do inferno, de uma vez por todas, qualquer esperança.

78 – O que me lembra o canalha Pedro Aleixo, travestido de democrata, mas fodendo geral: as pessoas não devem ter medo do general ditador; elas devem temer o guarda da esquina – que mata sem precisar dar satisfação.

79 – Durante 21 anos, a ditadura militar – fruto de uma intervenção militar, já – matou, matou e matou.

80 – Do general ditador ao guarda de trânsito da esquina, ditadura militar é assassinato. Nada mais.

81 – Nada mais.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

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Margriet Seinen.

terça-feira, 29 de maio de 2018

Amigos para sempre



Pedro Lucas Lindoso


Cesinha é um garoto baiano. Ou melhor, soteropolitano.  Seu pai foi transferido para cá e a família mudou-se de Salvador para Manaus.
O garoto tem 14 anos e gosta muito de futebol. É muito determinado. Se começa algo tem que terminar. Fica ansioso se não consegue ultrapassar determinada fase de vídeo game. O rapaz nem parece baiano. Dizem que os baianos são acomodados. Mas não é verdade.
Como muitos brasileiros, Cesinha está colecionando o álbum da copa do mundo. Além de baiano, Cesinha é torcedor fanático do Bahia.
Ficou muito triste com a notícia de que um dos seus ídolos, ex-jogador do Bahia, está fora da Copa. Trata-se de Daniel Alves da Silva, mais conhecido Dani Alves, jogador brasileiro que atua como lateral-direito. Atualmente defende o Paris Saint-Germain. Para tristeza de Cesinha, Dani Alves está fora da Copa do Mundo por conta de uma lesão no ligamento do joelho direito.
– Mas está no álbum da copa, alegra-se Cesinha.
O garoto há dias procura a figurinha 355. A figurinha do Dani Alves. Foi várias vezes aos shoppings, desde que Dani foi eliminado da lista de Tite.
Ninguém tinha para trocar. Conheceu algumas pessoas que já tinham a 355, mas coladas em seus álbuns.
Nessas idas e vindas aos locais de troca, inclusive entre colegas do colégio, ficou conhecido como o garoto que quer a 355 do Dani Alves.
– Será que os editores da Panini suspenderam as impressões da figurinha 355? Teriam já providenciado a sua substituição pela figurinha do Danilo, o que foi convocado no lugar de Dani Alves?
Danilo joga no Manchester City. A equipe que exibiu o futebol mais vistoso do mundo sob comando de Pepe Guardiola, explica Cesinha. E tem uma característica semelhante à de Dani Alves: a construção pelo meio.
Um colega de classe de Cesinha finalmente surpreendeu-o presenteando-o com a figurinha 355, do Dani Alves. Nem repetida a figurinha era. Foi um ato de desprendimento e amizade de um jovem manauara para com seu colega de Salvador. O presente fez com que o jovem baiano completasse seu álbum.
Cesinha, comovido, já convidou o colega para passar as férias em Salvador e curtir o carnaval da Bahia no próximo ano. Antes vão torcer pelo Brasil na Copa do Mundo. Os preparativos para os dias de jogo já começaram.
Com certeza, o amazonense e o baiano serão amigos para sempre.

domingo, 27 de maio de 2018

Manaus, amor e memória CCCLXX


Ponte de Ferro, ligando a Cachoeirinha ao Centro.
Por Huebner, cerca de 1890.

sábado, 26 de maio de 2018

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Nude Belinda.
David Bromley.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Zona de Guerrilha Franca



Zemaria Pinto


60 – Tem gente morrendo em decorrência da paralização dos caminhoneiros. E mais gente vai morrer.

61 – Mas nenhum sindicato, nenhuma associação de classe, nenhum caminhoneiro em particular poderá ser apontado como responsável por nenhuma morte.

62 – O único responsável é Michel Temer, o usurpador.

63 – O governo genocida – as moscas voejando em torno do pus que escapa dos buracos na cabeça de Michel Temer – o governo genocida está paralisado. Sem direção. Sem ação.

64 – E mesmo resolvida a situação atual – porque ela será resolvida: a copa vem aí – o governo genocida continuará paralisado, sem direção, sem ação.

65 – Os ratos abandonam o transatlântico genocida, fazendo discursos para o eleitor: hoje todos são contra o governo genocida, inclusive os próprios membros do governo genocida.

66 – O transatlântico faz água e Pedro Parente – o gênio que reinventou a Petrobrás e que nunca roubou um nadinha assim – Pedro Parente, o canalha, diz que a Petrobrás vai continuar trabalhando para os acionistas, especialmente, os acionistas americanos. E nos seus olhos apodrecidos atrás de lentes enevoadas está escrito: o povo que se foda.

67 – E o povo andava tão feliz. A copa do mundo vai começar daqui a três semanas e os caminhoneiros só irão parar para assistir aos jogos dos titeboys.

68 – O povo estava tão feliz. Sábado passado, acordou mais cedo para ver, morto de felicidade, o espetáculo deprimente e absolutamente incompreensível proporcionado pela realeza britânica.

69 – Colonialistas, escravocratas, genocidas, etnocidas – a monarquia, seja ela qual for, só se explica pela indigência mental do ser humano. Mas nem isso a justifica.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

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Karol Bak.

terça-feira, 22 de maio de 2018

Arabu e salame de cupuaçu



Pedro Lucas Lindoso


Conversava com um amigo parlamentar sobre as outorgas de títulos de cidadão amazonense. O assunto é controvertido. Sempre que alguém de quem não se gosta ou se admira recebe o título, há críticas. Outros não se conformam com a profusão de homenagens. Parece que falta assunto para os parlamentares colocarem em pauta.
O nobre deputado aproveitou para saber minha opinião sobre determinado senhor indicado para tornar-se cidadão amazonense. Marcamos um “chopp” no final da tarde de sexta-feira. Era preciso conhecer e conversar com o postulante a tão cobiçado título.
O candidato a nossa cidadania é oriundo de Santarém. Mais do que paraense, o pessoal de lá é tapajoense. Na verdade, desde a Independência do Brasil, a completar 200 anos ainda neste lustro, o povo das margens do Tapajós quer ficar independente politicamente do Pará.
Os habitantes da região do Tapajós são praticamente amazonenses. A cultura é a mesma dos caboclos do baixo Amazonas. Comem peixe, tartarugas e tacacá como nós.
Diferente de alguns dos migrantes do sudeste. Há sulistas que ganham muito dinheiro por aqui. Mas falam mal dos caboclos, reclamam do calor e vão empregar seu dinheiro em Miami ou no sul maravilha. E se dizem manauaras!
Conversando com o rapaz de Santarém e candidato a amazonense, descobri que veio para Manaus ainda bem jovem. Aqui se formou dentista. Faz trabalho junto às comunidades carentes. Toma tacacá com tucupi azedo como nós. E confessou:
– Adoro uma tartarugada! E ainda como arabu! Que é ovo de tartaruga batido e cru! Come-se com farinha e uma pitada de sal ou açúcar.
Perguntei-lhe se ele gostava de nossas frutas, no que ele nos disse:
– Gosto muito de tucumã e x-caboquinho. Como pupunha e aprecio muito o cupuaçu. De todo jeito. Do suco, do doce, do bombom e do salame.
Disse ao meu amigo deputado que o rapaz estava aprovado. É totalmente merecedor do título de cidadão amazonense. Poucos amazonenses das novas gerações ainda conhecem e comem arabu e salame de cupuaçu.

RECEITA DE SALAME DE CUPUAÇU

Coloque numa panela, a polpa de cupuaçu e o açúcar. Leve ao fogo, mexendo sempre, até soltar do fundo. Deixe esfriar e acrescente as castanhas-do-pará torradas e moídas. Enrole, dando o formato de um salame. Depois enrole em papel-alumínio e por cima, em papel celofane.

domingo, 20 de maio de 2018

Manaus, amor e memória CCCLXIX



Rua Ruy Barbosa, em 1973.
Acervo: Frank Lima.

sábado, 19 de maio de 2018

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Valkyrie Under Construction.
Daniel Miller.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Zona de Guerrilha Franca



Zemaria Pinto


53 – Os paradoxos do neoliberalismo.

54 – Quando Lula era candidato inconteste, liderava as pesquisas em qualquer cenário. O mercado estava uma merda, esperando pela prisão de Lula.

55 – Agora, as pesquisas ignoram Lula e quem toma a frente? O nazifascista bolsonagem, em primeiro, e a marineza, a candidata da incerteza. O mercado está uma merda ao quadrado.

56 – O que, afinal, quer o mercado? Que o The Supremes assuma de vez o controle?

57 – Enquanto isso, o desemprego atinge 27,7 milhões de brasileiros. Significa dizer que nos últimos dois anos (O Brasil voltou 20 anos em 2, eles alardeiam com espantosa estupidez) mais do que dobrou o número de desempregados.

58 – Enquanto isso, o IBGE brinca de fazer licença poética e diz que 4,6 milhões de brasileiros estão em “desalento” – ou seja, desistiram de procurar emprego.

59 – Eu usaria uma outra expressão: estão às portas do suicídio moral e ético. Quando um cidadão desiste de procurar emprego, só resta uma alternativa: (complete, leitor/a).

A medicina se ajustando à materialidade do século 17



João Bosco Botelho


O século 17, conhecido como o século da razão, trouxe o encontro da busca da maior liberdade com a ética médica. Esse complexo conjunto sócio-político foi firmemente tocado pelas ideias de Newton, Descartes, Locke, Espinoza, Leibniz, Corneille, Racine, La Rochefoucauld e Molière.
– Isaac Newton (1643-1727), um dos principais precursores do Iluminismo, autor do “Principia”, físico e matemático, trabalhou com Leibniz na elaboração do cálculo infinitesimal, no período em que permaneceu na própria casa porque a Universidade de Cambridge fora fechada por causa do surto da peste negra. Descobriu a lei da gravitação universal e a natureza das cores, que mudariam para sempre os rumos da ciência. 
– René Descartes (1596-1650), advogado, formado na Universidade de Poitiers, nunca exerceu essa profissão, se notabilizou como filósofo e matemático, fundador da filosofia moderna. Na sua principal obra, “Discurso sobre o método”, se consagrou na defesa do método cartesiano, incluindo o célebre “penso, logo existo”.
– John Locke (1632-1704), considerado a base do empirismo e defensor do direito natural, liberal e de tolerância seletiva, explicando que não poderiam ser aplicados ao “homem primitivo”, os índios, comparando-os ao animal, servindo de base ideológica para a tomada das terras e extermínio de populações indígenas. Esse controvertido filósofo defendia atitudes rígidas e coercitivas aos pobres.
– Bento de Espinoza (1632-1677), racionalista da Filosofia moderna, fugiu da inquisição portuguesa. Em 1656, foi excomungado pela Sinagoga de Amsterdam, por defender Deus como mecanismo imanente da natureza e do universo e a Bíblia como obra metafórico-alegórica não expressando a verdade sobre Deus. Após a excomunhão adotou o nome Bento, tradução do original Baruch. Para Espinoza, Deus e natureza eram dois nomes para a mesma realidade. Ao propor o determinismo, também entendia que os acontecimentos ocorrem em razão das necessidades. Dois pontos importantes da filosofia desse extraordinário pensador: defesa de que a razão não poderia dominar a emoção; uma emoção só seria consumada por outra emoção anda maior e inovou a ética ao afirmar que ela não se opõe às emoções; todos deveriam buscar os instrumentos que constroem a felicidade e o bem-estar e recusar os que determinam dor e sofrimento: a ética da alegria, da bem-querença.
– Pierre Corneille (1606-1684), fundador da tragédia francesa, após desgaste amoroso, escreveu peças teatrais que inauguraram a exposição de sentimentos trágicos, em absoluto contraste com o teatro medieval, em especial, rompe com a ordem e critica os políticos que se acham acima das leis.
– Jean Racine (1639-1699), poeta trágico, matemático e historiador francês. As peças escritas por ele inovaram a dramaturgia francesa, longe das âncoras das autoridades da Igreja, que ainda tentavam manter as rédeas da produção literária.
– François de La Rochefoucauld (1613-1680), pessimista e socialmente desencantado, conspirador contra a autoridade real, apesar da herança aristocrata, explicitava que todas as qualidades da nobreza, as falsas virtudes, estão ligadas ao egoísmo e à hipocrisia. Essa crítica posição, com claro enfrentamento à autoridade real, já refletia os novos ares da maior liberdade política que se avizinhava.
– Jean-Baptiste Poquelin, mais conhecido como Molière, o grande mestre da comédia satírica do teatro francês. Muito crítico à superficialidade do mundanismo, da segunda metade do século 17, na peça “O misantropo”, de consistente valor moral, retrata um personagem que recusa se integrar na sociedade, devido a exigência da sinceridade e absoluta aversão à hipocrisia.
Como nunca no passado, as práticas médicas associadas aos movimentos sociais que saíam das amarras dogmáticas da Igreja, aumentou o valor da materialização da doença. Centenas de descrições de estruturas e sistemas anatômicos, que receberam os nomes dos respectivos autores, foram acrescentadas aos saberes anatômicos.
Sob o impacto dessas profundas mudanças estruturais a ética médica iniciou o processo de afastamento da Igreja e, em alguns aspectos, se identificou com os conceitos de Spinoza, nos seus geniais livros “A ética” e o “Tratado da reforma do entendimento”, ambos valorizando a vida e rejeitando valores negativos da compreensão dos conflitos sociais.


quarta-feira, 16 de maio de 2018

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Melanie Delon.

terça-feira, 15 de maio de 2018

Tudo pode mudar, menos amor de mãe



Pedro Lucas Lindoso


Zequinha bafo de onça é natural de Itapiroga. O inusitado nome da cidadezinha era motivo de gozação. Ita significa pedra e piroga é uma espécie de canoa. O nome era alusão a um barranco de pedra em forma de canoa.
Mas o que perturbava Zequinha era seu apelido de bafo de onça. O rapaz sofria de severo mau hálito. Halitose, como dizem os médicos e dentistas. Sua dedicada mãezinha, dona Raimundinha, insistia para que Zequinha escovasse os dentes e a língua. Devia manter a boca úmida com limão e comer muitas frutas. Sempre preocupada com o filho. O bullying estava deixando o rapaz triste e macambúzio. Ninguém ousava chamar Zequinha de bafo de onça perto de dona Raimundinha. Muito menos do Dr. Da Silva, o delegado da cidade.
Dona Raimundinha convenceu o marido a mandar o rapaz para a capital. Estudaria por lá e faria um tratamento eficaz. Um dentista especialista no assunto foi o responsável pela cura do Zequinha. Mas o rapaz se recusava a voltar para Itapiroga. Dona Raimundinha visitava sempre o jovem, insistindo para que ele voltasse para casa. Ninguém mais o chamaria de bafo de onça. Zequinha relutava,
Dona Raimundinha dizia que tudo estava diferente. A cidade agora se chamava Canoa de Pedra. O bairro onde moravam denominava-se Pôr do Sol e não mais Baixa do Sol.  A Rua Principal mudou para Dr. Fulano de tal. A Praça das Rosas foi rebatizada com o nome da mãe do prefeito. O Auditório que era José de Alencar recebeu o nome de Machado de Assis. Essa mudança foi a mais enigmática para Zequinha. Havia feito Letras e tornou-se professor de Português. 
Dona Raimundinha insistia para que o filho retornasse a sua cidade. Seu pai não era mais delegado. Havia galgado o cargo de Secretário de Segurança Pública de Canoa de Pedra, antiga Itapiroga.
Até dona Raimundinha mudou de nome. Como esposa do secretário, virou “socialite”. Agora era dona Ray. E Zequinha bafo de onça havia se tornado o Professor José Carlos da Silva.
Segundo domingo de maio. Dia das mães. O professor resolve fazer uma surpresa para sua mãezinha e volta a Canoa de Pedra. Constatou que tudo havia mudado. Foi recebido com todo carinho e desvelo por dona Ray. E concluiu: tudo pode mudar, menos amor de mãe.
Feliz dia das mães para dona Ray, para as mães de Canoa de Pedra, do Brasil e do mundo.


segunda-feira, 14 de maio de 2018

Zona de Guerrilha Franca




Zemaria Pinto


45 – Era preciso que a CIA dissesse o que vítimas e parentes vêm dizendo há mais de 50 anos: os assassinatos cometidos pelo regime militar eram não apenas consentidos, mas autorizados.

46 – 89 pessoas “desapareceram” após a ordem de Geisel a Figueiredo, incluindo o tempo em que este foi o ditador de plantão.

47 – O auge da matança deve ter sido em 1973, sob a ditadura de Médici: 104 mortos e/ou desaparecidos, segundo o mesmo documento da CIA.

48 – Mas Médici esteve com o cutelo na mão desde outubro de 1969. Quantos ele mandou matar nos 3 anos posteriores?

49 – E Costa e Silva? E Castelo Branco?

50 – O coronel Passarinho, para justificar “possíveis excessos”, disse que o enfrentamento ditadura x “subversivos” era uma “guerra suja”.

51 – A Comissão Nacional da Verdade levantou 434 vítimas dessa sujeira, das quais 210 continuam desaparecidas.

52 – O argumento de que o outro lado também teve perdas não se justifica: não estamos falando de mortos numa guerra regular; estamos falando de tortura e execução. E isso é sujo.

domingo, 13 de maio de 2018

Manaus, amor e memória CCCLXVIII


Vista da área ribeirinha de Manaus, em 1865. Por  Albert Frisch.

sábado, 12 de maio de 2018

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Kitsune.
Rick Berry.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Zona de Guerrilha Franca



Zemaria Pinto


30 – Marielle continua morrendo a cada dia de impunidade de seus assassinos.

31 – Quem acredita que um vereador de merda é o mandante do assassinato de Marielle? É, no máximo, o executor: o mandante está uns três níveis acima na hierarquia da podridão bandalha deste país varonil.

32 – The Supremes derrubou o foro privilegiado, pero no mucho. Todos são iguais perante a lei, mas alguns continuam mais iguais que os outros.

33 – Passou pela cabeça de alguém que o incêndio/desmoronamento daquele edifício em SP, ocupado por sem teto, não foi intencional? Alguém consegue imaginar um meio mais rápido de recuperar o terreno, numa área caríssima da capital do capital?

34 – O Joaquim Barbosa, ex-supreme, infiltrado no glorioso PSB, esfacela de vez a direita: quem ia votar nele não vota no bolsonagem; muito menos no picolé de chuchu; Meirelles? Porta-voz de si mesmo, nem ele mesmo acredita nessa candidatura natimorta (morreu com o Temer).

35 – Eu disse glorioso? Como pode um partido que pede para apoiar o David Almeida ser levado a sério? É servir de escada para o ladrão que quer pular o muro. Vergonhoso PSB, sigla de aluguel.

36 – “Tira a carne; bota ovo.” Os caras que estavam desviando o dinheiro da merenda escolar em São Paulo não são meros ladrões de dinheiro público: são ASSASSINOS GENOCIDAS.

37 – Nossa expertise: O Zé Merenda passou parte da vida fazendo isso e a bandalha das contas “nunca” desconfiou.

38 – Meus 15 segundos para a Globofuck, tendo como paisagem de fundo crianças catando lixo, e disputando-o com ratazanas de dois palmos de comprimento, na rua Barroso, próximo ao Botequim (eu vi, meninos, eu vi! – estava no Curupira, onde a música é bem melhor):

39 – O problema do Brasil não é a corrupção, não é a impunidade, não é a burrice generalizada. O Brasil só tem um problema: a FOME! Deem cinco refeições diárias a essas crianças e todos os índices educacionais dobrarão em dois anos, numa progressão geométrica; isso resultará, em 20 anos, no fim da bandidagem em todos os níveis, incluindo aí a bandidagem política, porque pessoas bem alimentadas, educadas e cultas não toleram bandidos de espécie alguma!

40 – Precisamos voltar a falar sobre FOME.

41 – O Betinho morreu há mais de 20 anos. Muitos programas sociais do governo popular do Partido dos Trabalhadores vieram das ações que ele encabeçou. Com o governo golpista velholiberal, entretanto, a ideia está encolhendo, encolhendo, podendo chegar à inanição.

42 – Precisamos voltar a falar de FOME.

43 – A equação perfeita só tem uma variável: acabar com a FOME. Se o povo se alimenta, melhoram os índices de saúde, os índices educacionais e até os índices culturais.

44 – Em síntese: se o corpo estiver bem, a mente estará melhor.


Libertação da medicina no Renascimento



João Bosco Botelho


Alguns acontecimentos marcaram o Renascimento como um novo tempo na Europa, interferindo diretamente nas práticas médicas oriundas do medievo:
– Publicação mecanizada dos livros;
– Ruptura com as interdições eclesiásticas: dissecção pública de corpos humanos;
– Teatros de anatomia em vários reinos europeus;
– Publicação do livro “De humani corporis fabrica”, de André Vesálio;
– Publicação do livro “A cirurgia”, de Ambroise Paré;
– Publicação do livro “De viscerum structura”, de Marcelo Malpighi, descrevendo o mundo somente visível sob as lentes de aumento, iniciando o pensamento micrológico, que pode ser considerado um dos mais importantes avanço da Medicina: identificação das causas das doenças numa dimensão invisível aos olhos desarmados.
Entre outras singularidades do Renascimento, se destaca a vontade coletiva de retomar os ideários políticos da Grécia platônico-aristotélica. Desse modo, inicia-se outra fase da ética médica sob menor influência dos dogmas do cristianismo medieval:
– Importante e decisiva é a procura da materialidade da doença;
– Retomada das diretrizes teóricas da Medicina greco-romana;
– Diminuição do valor atribuído aos santuários curadores;
– Aumento do número de médicos oriundos das novas universidades;
– Maior participação de médicos laicos no processo formador da Medicina;
– Livros escritos em latim;
– Presença de geniais pintores e escultores, como Miguel Ângelo, Leonardo da Vinci, Rembrandt, entre outros, detalhando nas obras de artes o corpo desnudo;
– Maior acesso aos livros produzidos no período greco-romano;
– Maior liberdade para os estudos dos corpos mortos;
– Substituição das confrarias, sob a guarda dos respectivos santos protetores, como a dos cirurgiões sob a proteção de São Cosme e São Damião, pelos Colégios e Academias laicos, como o Royal College of Surgeons, em Londres, e a Sorbonne, em Paris;
– Cirurgia incorporada à Medicina;
– Recuo da compreensão da doença como mal, causada como castigo.
 Os novos saberes proporcionaram novos caminhos à Medicina, mais liberta dos dogmas medievais, ampliando significativamente os domínios da compreensão da saúde, sedimentando a busca da materialidade da doença, no século 18, sob o estandarte da micrologia.
De modo geral, a ética médica retomou os preceitos hipocráticos, reafirmado pelas Escolas de Medicina de Montpelier e Salermo, ao tempo em que ratificou o projeto teórico que avançaria até hoje: a busca da materialidade da doença nas dimensões da matéria viva invisível aos olhos, clareando a identificação das doenças infecciosas temidas, a hanseníase e a peste negra, responsáveis pela morte de dois terços da população europeia.
Talvez um dos mais importantes representantes dessa fase, interligando a Medicina e o Direito, tenha sido Maquiavel, nas obras “Discurso” e “O Príncipe”, em ambos discursando com clara resistência ao mundo espiritual da escatologia cristã, oriundo do Direito canônico, e valorizando a vida vivida.


quarta-feira, 9 de maio de 2018

Fantasy Art - Galeria


Warrior Woman.
Rodrigo A. Branco.