Amigos do Fingidor

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

A poesia é necessária?

 

Assoviando Santa Helena                

Jalna Gordiano

 

Eu assovio muito mal.

Minha língua foi quase decepada, mas isso não justifica.

Nunca assoviei direito.

Me magoo facilmente.

Guardo rancores.

Planejo vinganças. Esqueço delas.

Não desejo o mal de ninguém que me fez mal.

Mas, quando acontece, não finjo que não fiquei feliz.

Quando eu engordo, engorda logo a barriga.

Quando emagreço, secam logo as pernas.

Já matei gente com palavras e indiferença.

Da mesma forma me mataram.

Já cortei muitas asinhas.

Arrancaram minhas asas no dente.

Aprendi a levitar à força.

Já me fuzilaram com palavras.

Visito cemitérios sem ter quem visitar.

Sinto melhor em cemitérios que em praças.

Também gosto de supermercados.

Converso com meus amigos mortos todos os dias.

Às vezes, choro de saudade. Dói.

Gosto de gente. De longe.

Perto, geralmente machucam.

Por isso mando as pessoas embora e ligo a televisão pra fingir que tem alguém em casa.

Quando enjoa, desligo.

Ainda trago doçura no coração.

Guardo-a dentro de um bunker.

Meus filhos tem acesso a esse bunker.

Mas mostro-lhes a maldade vez ou outra.

Gozo melhor sozinha.

Detesto gente burra de propósito.

Detesto barulho de água.

Amo chuva.

Fui gerada numa tempestade e parida num vendaval.

Nado tão bem quanto uma pedra.

Se pudesse, viveria bêbada.

Preciso trabalhar, então não vivo.

Se pudesse, comeria a maçã envenenada.

Preciso trabalhar, então não durmo.

Não sei o que você vai fazer agora, com essas informações.

Nada.

Faça o que lhe for da cabeça.

Você não pode me destruir.

Vou desligar a tv, fazer o jantar e dançar.

 

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

terça-feira, 8 de agosto de 2023

Imagina

Pedro Lucas Lindoso

 

Cresci ouvindo que não deveria se economizar no uso das palavras obrigado, por favor, com licença, desculpe-me e suas variações. Tia Idalina, didaticamente, ensina às crianças que são palavras mágicas.

Em Portugal usa-se muito “bem haja’. É escrita sem hífen e usada como forma de agradecimento. Portanto, é sinônimo de muito obrigado. É um desejo que você tenha tudo de bom. Bem haja, no singular, deve ser usado no agradecimento de apenas uma pessoa. Bem hajam, no plural, deve ser usado no agradecimento de mais do que uma pessoa.

Assim como obrigado é usado por homens e obrigada por mulheres. As portuguesas raramente erram. Mas há brasileiras que agradecem erradamente a vida toda. Uma professora de português me disse que a língua é machista. Para as mulheres é bem mais difícil falar corretamente.

Os americanos ao aprender o português acham muito interessante que haja “thank you” para homens, ou seja obrigado e outro para mulheres, obrigada. Em época de “todes” pode ser que venha a colar o “obrigade”. Ou não.

O fato é que a língua é dinâmica e evolui. O mesmo idioma varia no tempo e espaço. Vossa mercê virou vós mecê e hoje é você.

Peguei um táxi certa vez. E lhe pedi: Vieiralves, por obséquio. No que o motorista respondeu que iria pegar a avenida Djalma Batista, pois não sabia ir “por obséquio”.

Voltando aos agradecimentos. Nós brasileiros costumamos responder ao obrigado de diversas formas: “Por nada!”, “Não há de quê!”, “De nada!”, “Não seja por isso!”, “Obrigado você!, “Obrigado eu!”

No Inglês, a forma mais comum de se responder ao “thank you” é com a expressão “You are welcome”, que também significa seja bem-vindo. Usa-se ainda “any time” e também a expressão “don’t mention it’, dentre outras.

Em São Paulo a resposta que mais ouvi para o obrigado foi “imagina!” A expressão é muito comum entre os paulistas. Serve também para reforçar o que é verdadeiro e possível. As vezes pode ter o sentido de aprovar, despreocupar e concordar ao mesmo tempo. Mas predomina como resposta ao obrigado.

No Rio de Janeiro, onde se troca muito e por i ouvi, um muito obrigado assim: agradecido. Ou melhor “gradicido”. Imagina?

  

domingo, 6 de agosto de 2023

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Psicopatologia da composição de Música para surdos 2/6

 Zemaria Pinto

 

O primeiro movimento teria como assuntos a juventude, a vida sem rumo, e, como decorrência disso, a passagem inexorável do tempo e a inevitável solidão. Era aquela melancolia traduzida num andamento inicialmente largo, para em seguida transformar-se num alegro, representando a descoberta da poesia e do amor. Deveria ter de 7 a 8 sonetos.

O segundo movimento, por outro lado, num andamento de adágio, representaria a perda, totalizaria a dor. Teria 3 ou 4 poemas.

O terceiro movimento teria a responsabilidade de apagar a impressão de tristeza deixada pelo anterior e ao mesmo tempo preparar o grand finale. Um alegro moderato. Desde o início, defini que, nesta seção, trataria de mitos, emprestando à “música” a ambiência mágica anteriormente planejada. Mas não seriam quaisquer mitos. Seriam meus, pessoais, exclusivos. Ateu, meus mitos são as representações simbólicas da minha realidade fraturada – metáforas e alegorias do abismo entre o desejo do ser e o ser do desejo. 6 a 7 poemas.

Finalmente, o quarto movimento deveria ser uma celebração à poesia, daí o seu andamento presto, triunfante. 3 a 4 poemas, não mais.

Se contasse o número de poemas pelo máximo, teria 23 sonetos. Pelo mínimo, 19. Números feios, nada sugestivos. Como a coisa já ia se alongando e o primeiro poema já começara a tomar forma (“a ti entrego-te meu braço destro / meu sexo meus olhos e meus delírios”) resolvi batizá-lo com o número 21, e ele seria o “fechamento” do poema – afinal, o 21 é um número carregado de simbolismos, múltiplo que é de 3 e de 7, números relacionados com o sagrado e o místico. Ou seja, dividindo o número de poemas por seção, de acordo com o que considerei a duração ideal da música em cada movimento, dando a cada um deles números pares de poemas, com exceção do último, que sintetizaria em três poemas cada um dos movimentos anteriores, estava definida a extensão do poema: 21 sonetos ou 294 versos. Mas, devo dizer que nada disso guarda qualquer relação com numerologia, cabala ou tarô – é apenas uma estrutura numérica.

É preciso esclarecer, embora óbvio para o leitor de poesia, que um poema se faz de outros poemas e de toda a tradição que o antecede. Tem sido assim desde sempre. Um poema ecoa outros poemas. Por isso, não deve estranhar o leitor pouco afeito às citações que ocorrem ao longo de um poema, que, quando reveladas, parecem pedantismo acadêmico ou falta de originalidade. A música pop inventou o verbo “samplear”. Na Universidade chamam a isso de intertextos ou, o que é muito mais poético, palimpsestos – escritos sobre outros escritos.

Forma, assunto, extensão, um título provisório e até mesmo uma “chave de ouro” – estava esboçado o meu poema. Mas é preciso dizer que a diversidade do item assunto colocou-me frente a um outro problema: o tom do poema. Percebi então que esse tom já estava definido no próprio andamento de cada movimento: o largo é melancólico; o adágio é triste. Ambos trazem uma carga de negatividade existencial e filosófica relacionada ao mal e ao não-ser. Era preciso enfatizar isso. Mas o alegro do primeiro movimento deveria reverter essa situação, levando-a a um paroxismo de plenitude. Por isso o alegro deveria trazer à tona uma visão nova do Homem. Isso me deu outra definição: o sexto poema do primeiro movimento seria uma referência direta ao mal interpretado Nietzsche, uma leitura que me acompanhava havia muito tempo, seguida de uma abordagem amorosa do que vem a ser o fazer poético.

Quanto ao alegro moderato relacionado aos mitos, o melhor tom que se me afigurou foi o da ironia enquanto valor positivo, onde a repulsa se transforma, numa leitura menos banal, em atração fatal. O tom do último movimento deveria sintetizar, como já disse antes, os outros três. Um poema de tom positivo partindo de uma situação negativa, uma louvação à poesia. Um segundo poema, dilacerado, contaminado pela dor da perda e permitindo que esta contamine a própria elaboração poética. Finalmente, o poema de número 21, num procedimento dialético, seria um canto de amor e de entrega à poesia.

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

A poesia é necessária?

                

Reminiscências

Tenório Telles

 

Lá fora a chuva

banha (a vida) de prata e silêncio:

o girassol dança

ao ritmo do vento

– disco solar em botão.

 

Embalado pelas lembranças

que habitam os cômodos

da casa da memória

– eu – grávido de ti

costuro retalhos do tempo.


terça-feira, 1 de agosto de 2023

Cor e preconceito


Pedro Lucas Lindoso


Dia 25 de julho comemora-se o Dia do Escritor. Parece-nos que antigamente era mais fácil esse ofício de lutar com palavras escrevendo-as. Não havia o que hoje se chama de “politicamente correto”. Monteiro Lobato ao descrever Tia Anastácia disse que ela era “negrinha de estimação”. Com certeza não a teria descrito desse modo nos dias de hoje. Ainda bem. As pessoas têm se conscientizado que índios, negros, deficientes, LGBTS e outros segmentos discriminados devem ser respeitados, valorizados e protegidos juridicamente.

A linguagem das metáforas, algumas vezes usando as cores, é perversamente preconceituosa. Tia Idalina tem uma receita que se chama “preto de alma branca”. Trata-se de um bolo de duas camadas, sendo a de cima preta. A outra, branca. Um dos sobrinhos sugeriu que mudasse o nome para bolo Botafogo, em razão das cores preto e branco do time carioca. Há outro quitute com nome de “nega maluca”. A culinária está cheia de nomes inadequados. Parece que a cozinha sempre foi local de racismo explícito.

Conheci um rapaz apelidado de coalhada. O apelido é em razão dele ser branco demais para os padrões manauaras. E azedo porque não gostava muito de banho. Seu irmão era o macaxeira. Ao fazer uma prova quando não nos lembramos de algo dizemos: “Deu um branco”. Seria isso preconceituoso? E ficar branco de susto?

Quando se chega em Cusco, a capital Inca, no Peru, pode-se ver uma grande quantidade de bandeiras arco-íris. O arco-íris está ligado ao sol, um deus importante para os incas. Nada a ver com o movimento gay.

Um nobre de sangue azul poderia ser torcedor do boi garantido? O boi vermelho? Dar o bilhete azul é uma expressão popular que significa demitir do emprego. Parece que nenhuma das cores primárias escapam de alguma idiossincrasia. Amarelar tornou-se uma gíria muito usada para acovardar-se. Seria desrespeitoso aos asiáticos que seriam da raça amarela?

A palavra denegrir pode ser considerada ofensiva aos negros. Na verdade, não deveria. Sua origem etimológica tem origem no latim “denigrare” que significa manchar a reputação de alguém, mas nada relacionado com negro. Em Inglês evoluiu para “denigrate”. É bom evitar o seu uso.

E verde de fome? Uma famosa série americana, “A Princesa de Marte”, do escritor americano Edgard Burroughs, descreveu pela, primeira vez, os marcianos como homens verdes. A série fez tanto sucesso que os marcianos verdes foram eternizados. Seriam os marcianos seres famintos?

Nunca foi tão importante ter cuidado com palavras e expressões para evitar ferir suscetibilidades. Escrever ou dizer algo nem sempre é preciso.

 

domingo, 30 de julho de 2023

sexta-feira, 28 de julho de 2023

Psicopatologia da composição de Música para surdos 1/6


Zemaria Pinto

 

Gênese. Não sei exatamente o que me move a escrever este texto. Talvez responder perguntas. Talvez formular perguntas cujas respostas eu desconheço. Só sei que preciso escrevê-lo (é uma ideia que nasceu junto com o livro)[1] e o farei pensando nos críticos que não tenho e nos leitores que não terei.

Começo por escancarar uma ideia que me é particularmente cara: o trabalho poético é resultante de um minucioso planejamento, consciente ou não, cuja execução pode levar toda uma vida. Uma obra aparentemente fragmentada como a de Drummond tem recorrências que se modificam ao longo dos anos, formando vários painéis das áreas de interesse do poeta. Os grandes poemas da humanidade, como Eneida, A Divina Comédia ou Os Lusíadas consumiram largos anos das vidas de seus autores, não tanto pela sua extensão, mas, principalmente, pela complexidade.

A minha minguada história é a seguinte: Corpoenigma, meu primeiro livro, publicado em 1994, foi inteiramente planejado e concluído em preguiçosos 12 meses. Eram 45 tercetos, divididos em 15 seções, cada uma com 3 poemas. Fragmentos de Silêncio, publicado em 1995, por outro lado, é um caos ao qual procurei dar um mínimo de ordem: são 49 poemas, escritos entre 1972 e 1995, divididos em 7 seções, com sete poemas cada uma. Mas se é claro que dentro das seções os poemas se inter-relacionavam, em todo o livro, a começar pela concepção gráfica da capa, havia um tema único: a passagem do tempo. Infelizmente, dos poucos leitores que tive, pouquíssimos perceberam isso, como o Hugo Pontes e o Rogério Salgado, de Minas, e o sempre Uilcon Pereira, de São Paulo.

Mais três anos são passados e surge este Música Para Surdos. É sobre ele que quero falar. Sua concepção. Sua feitura. Não do livro, que é diverso, mas do poema. Quero mostrar que não tive qualquer acesso de inspiração, nem faniquito espiritual, nem frenesi sexual, nem nada. Mesmo bons leitores, confundem o eu lírico com o autor – e toda poesia lírica se torna, sob esse prisma, mero veículo para as frustrações do autor. Espero que este texto sirva para eliminar essa visão medíocre – pelo menos, da minha poesia.  Cartesianamente, montei meu poema como se fora uma equação, ou uma estação do metrô de Londres, com todas as minúcias cronológicas de chegadas e partidas.

Tudo começou com a procura de definições para um novo poema de longa extensão. No Corpoenigma elegi a forma haicai. Tudo bem, neste novo projeto não haveria haicai. Mas assim como em Corpoenigma, eu queria continuar seguindo o conselho de Poe:

 

O que denominamos um poema longo é, de fato, apenas a sucessão de alguns curtos; isto é, de breves efeitos poéticos.[2]

 

A concepção de Poe se encaixa com perfeição em meu dia a dia atribulado, onde o banal cotidiano não deixa muito tempo para a criação. Surgiu, então, naturalmente, a ideia de usar o soneto, a mais popular e por isso mesmo a mais desgastada forma poética ocidental. Seria um desafio. Mas não se faz arte sem desafios.

Estabelecida a forma para, multiplicada, compor o meu poema, o próximo passo seria eleger um assunto. Isso não foi difícil. O soneto é uma forma essencialmente lírica e o lírico é a revelação do eu. Uma autobiografia poética, então? Não, apenas um mergulho tímido pela superfície desses eus dilacerados – a bênção Mário de Andrade, a bênção Fernando Pessoa – que habitam o poeta, quem ou o que quer que ele seja.

De posse da forma e do assunto, precisava estabelecer a extensão do poema. Ou seja, numa linguagem mais burocrática, precisava estabelecer os limites de atuação, para não ir nem tanto além nem muito aquém. Palavra puxa palavra, soneto lembra sonata e sonata tem 3 ou 4 movimentos. Ainda sem ter a extensão, tinha um título provisório, Sonata Selvagem, que subsistiria até a escritura do poema “exercício nº 17”, como se verá adiante.

Alguns dos meus leitores poderiam fazer uma relação com Quatro Movimentos, de Luiz Bacellar, pelo menos em relação à estrutura: quatro movimentos de uma “Sonata em Si Bemol Menor para Quarteto de Sopro”, nome adotado a posteriori, uma vez que na primeira edição do poema, ele é parte – dissonante – de Frauta de Barro, com o título “Quatro Epístolas”.[3] Também publicado como Quatuor e Quarteto, trata-se de um tour de force de interpretação desafiadora, que não mereceu até hoje, que eu conheça, uma leitura aprofundada. Fico a devê-la, como um compromisso com o mestre e amigo. Mas não havia nenhuma relação intencional. 

Sonhei, então com a minha música. Ela começava lentamente, um pouco melancólica, mas logo se tornava pulsante, denotando alegria e segurança. O segundo movimento era triste, depressivo. No terceiro movimento, a alegria retorna, mas já num ambiente modificado, mágico. O último movimento é uma festa de sons, vibrante, desafiador. Era preciso decodificar isso em palavras.

 

(Este ensaio será postado em seis partes, todas as sextas-feiras, até 1° de setembro.)



[1] Refiro-me à Música para surdos – Manaus: Valer, 2001.

[2] POE, Edgar Allan. A Filosofia da Composição. Tradução: Oscar Mendes e Milton Amado. In: O Corvo. São Paulo: Expressão, 1986. p. 63.

[3] BACELLAR, Luiz. Frauta de Barro. Rio de Janeiro: Livraria São José, 1963. p. 123-152.

quinta-feira, 27 de julho de 2023

A poesia é necessária?

 

Memorial

Simão Pessoa

 

Sou da geração mimeógrafo:

Fiz da revolta o sextante

Na cartografia do ódio

Sou da geração neo-vazia:

Minha ética é o niilismo

No desprezo à ideologia

Sou da geração “mais embaixo”:

Fiz de defesa a chacota

E de armadura o sarcasmo

Sou da geração AI-5:

Já levei tanta porrada

Que a alma perdeu o vinco

 

quarta-feira, 26 de julho de 2023

Lançamentos da Academia Amazonense de Letras


A escolha do local reflete uma homenagem da AAL ao livreiro Joaquim Melo.

 

terça-feira, 25 de julho de 2023

Esparta ou Atenas?

 Pedro Lucas Lindoso

 

Na Grécia Antiga havia duas importantes cidades-estados: Esparta e Atenas. A diversidade cultural, política e educacional entre elas nos oferece uma concepção de mundo contrastante. Os papéis desempenhados pelos seus habitantes e as instituições em geral, são, às vezes, divergentes e antagônicas. Podem nos levar a compreender essa polaridade que existe no Brasil de nossos dias.

A política em Atenas era mais democrática. Em termos, pois, mesmo sendo um governo “do povo”, quem de fato governava era uma parcela bem pequena da população. Já em Esparta, as questões políticas eram de obrigação de um conjunto bem menor de homens. Eram idosos e poderosos.

As mulheres espartanas recebiam uma educação rigorosa tanto física quanto psicológica. Disputavam competições e administravam o patrimônio da família. Em Atenas a vida das mulheres era restrita ao mundo do lar. As atenienses eram ensinadas a ser dóceis e submissas.

Na área da Educação, as duas cidades gregas apresentavam diferenças marcantes. Em Atenas, as escolas e instituições  se preocupavam em desenvolver um equilíbrio entre mente e corpo. A educação ateniense buscava conciliar a saúde física e o debate filosófico. Já em Esparta, que tinha uma forte e intensa tradição militar, privilegiava-se o treinamento do corpo. Os jovens espartanos aprendiam a escrever somente o necessário. Dessa maneira, o cidadão espartano deveria ser forte e resistente. O homem de Esparta era preparado primordialmente para a guerra.

Minha professora de História Geral, após nos incentivar a pesquisar e conhecer bem essas cidades-estados montou um debate entre seus alunos. Devíamos escolher em qual sociedade preferiríamos viver. Alguns, de imediato fizeram suas opções entre Esparta e Atenas. Outros ficaram em dúvida. Quase houve empate. Mas os espartanos ganharam o debate. O Brasil encontrava-se sob um regime de governo militar.

Escolher entre querer viver numa sociedade mais espartana ou mais ateniense pode ser uma escolha de vida. O importante é respeitar a escolha um do outro. Os que escolhem estudar numa escola cívico-militar preferiria ter vivido em Esparta. Os que acham a Filosofia imprescindível iriam preferir Atenas.

E você leitor: Esparta ou Atenas?

 

domingo, 23 de julho de 2023

quinta-feira, 20 de julho de 2023

A poesia é necessária?

 

14 de março de 2018

Dori Carvalho

 

Quem comemora a morte,

também apertou o gatilho.

Quem justifica o assassinato,

também apertou o gatilho.

Quem ofende a vítima,

também apertou o gatilho.

Quem chama de defensora de bandido,

também apertou o gatilho.

Quem diz que bebeu do próprio veneno,

também apertou o gatilho.

Quem manda ir pra Cuba,

também apertou o gatilho.

Quem esbraveja volta pra África,

também apertou o gatilho.

Quem vomita preta nojenta,

também apertou o gatilho.

Quem chama de vaca vagabunda,

também apertou o gatilho.

Quem xinga de esquerdopata,

também apertou o gatilho.

Quem fala mimimi e vitimização,

também apertou o gatilho.

Quem vocifera desumanos direitos,

também apertou o gatilho.

Quem se esconde e silencia,

também apertou o gatilho.

 

terça-feira, 18 de julho de 2023

Escritores

Pedro Lucas Lindoso

 

Quem somos? Onde estamos? O que fazemos? Parafraseando o bordão que inicia o Globo Repórter. Entretanto, são perguntas que nos fazem constantemente. Outra bastante frequente é sobre inspiração. Aquilo que motiva escritores e poetas, a tão propalada inspiração, é tão variável quanto os assuntos que eles escolhem para escrever. Nem todos se preocupam em criar uma grande obra de arte. A grande maioria quer mostrar ao mundo aquilo que sentem, que viveram e que acham relevante.

Dia 25 de julho comemora-se o Dia do Escritor. No dia 6 de julho o Vereador William Alemão adiantou-se, até por uma questão de agenda e recessos, promovendo a Homenagem ao Dia do Escritor, na Câmara Municipal de Manaus. A propositura foi importante na medida em que muitos escritores querem e precisam ter visibilidade perante a sociedade de Manaus.

Uma professora do Departamento de Letras da Universidade de Brasília (UnB) me disse que foi feita uma pesquisa na própria UnB sobre a literatura nacional. Segundo a docente, o resultado é desanimador. O fato é que as grandes editoras seguem publicando obras de escritores brasileiros com o mesmo perfil há anos. A pesquisa teve como base livros de escritores brasileiros lançados entre 1965 e 2014. Mais de 70% deles foram escritos por homens, 90% são brancos e pelo menos a metade veio do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Nós aqui do Amazonas não somos poucos. Há várias associações que dão guarida a escritores, conhecidos ou não. Uns são brilhantes, outros nem tanto. Todos gostam de escrever e mostrar seus escritos ao mundo. Põem a cabeça para fora e todos nós levamos pauladas de críticas. Algumas até desrespeitosas e cruéis. Há os que recebem loas. Alguns poucos. Há os reconhecidos nacional e internacionalmente. Graças a Deus.

Os que se consideram escritores estão em todos os lugares. Nas salas de aula, nos tribunais, nos hospitais, nas redações dos jornais, nas cozinhas e nas ruas. O escritor é antes de tudo um leitor. Alguém que preza os livros. Pelo menos a grande maioria, quero acreditar. E isso é ótimo. As secretarias de Educação, tanto a municipal quanto a do Estado, promovem a Semana da Literatura Amazonense. Isso é muito bom. A cidade tem várias associações e academias de escritores. Numa rápida pesquisa verifiquei que há mais de mil escritores associados a elas! A mais importante e tradicional é a nossa centenária AAL – Academia Amazonense de Letras. Algumas tem limite de 40 vagas nos moldes da ABL – Academia Brasileira de Letras. A maioria são associações e clubes literários de portas abertas aos escritores, sem restrições.  Jovem escritor: procure um clube literário. Escreva e seja feliz. Parabéns a todos os escritores.

  

domingo, 16 de julho de 2023

sexta-feira, 14 de julho de 2023

Antísthenes Pinto, inventor e artesão 4/4

Zemaria Pinto

 

VI

Adentremos agora no território sombrio da prosa de ficção de Antísthenes Pinto. Guardem bem este adjetivo: sombrio – ele qualifica com exatidão o mundo ficcional das novelas e romances de Antísthenes. Não se trata de um juízo negativo de valor, mas de uma metáfora – as sombras da prosa de ficção de Antísthenes vão se revelar, ao final, as vésperas da luz.

Em 1965, com a publicação de Chavascal, o autor envereda pela prosa de ficção. Chavascal passa-se em um seringal, nas cercanias de Terra Clara. Não sei se devo falar em realismo, em função das fortes tintas com que Antísthenes colore aquele painel. Expressionismo, talvez, pois a realidade é de tal forma realçada, quero dizer, exagerada, de forma intencional, que pouco sobra de humanidade naqueles personagens: monstros morais, deformados interiormente – novamente, Antísthenes, assim como na poesia, não faz concessões. Chavascal é o tipo ideal daquilo a que os críticos mais apressados costumam rotular de literatura regionalista. Mas o que é mesmo literatura regionalista? Sempre me pareceu estranha essa denominação – Alfredo Bosi, por exemplo, chama de regionalista tudo o que se opõe ao urbano: do conjunto da obra de Guimarães Rosa a A Madona de Cedro, do urbano Antônio Callado (BOSI, p. 426-428). A brasilianista Luciana Stegagno Picchio, na sua História da Literatura Brasileira, age da mesma forma (PICCHIO, p. 402-404). Mas, de modo geral, regionalista é sinônimo de literatura fora do eixo daquilo que nós chamamos mais atrás de “centros culturais mais avançados do país.” Diga-se que o termo não está registrado nos dicionários especializados em literatura. Quanto aos dicionários comuns, o Houaiss diz: “caráter do texto literário que se baseia em costumes e tradições regionais, e que tem como uma de suas características o uso de linguagens locais.” O Aurélio é mais conciso ainda: “caráter da literatura que se baseia em costumes e tradições regionais.” Ou seja, não fazendo distinção com o urbano, os dicionários comuns corroboram a ideia geral – o que está fora do eixo é regionalista. Podemos mesmo dizer que existe um forte preconceito, que nega aquele sábio conselho de Tolstói: “Escreve sobre tua aldeia e estarás escrevendo sobre o mundo.” Uma novela de Tolstói, uma peça de Tchekhov ou um romance de Dostoievski são universais, mesmo que se passem numa minúscula aldeia perdida da Sibéria. Por que então um conto amazonense será sempre regionalista?

Terra firme, publicado em 1970, é um romance de linguagem peculiar: frases curtas, sempre buscando construir imagens na mente do leitor, e personagens enfurecidos, assoberbados daquela ira inexplicável.

 

A poronga na testa, o saco de borracha nas costas, o terçado afiado na mão. Madrugada parada. Lá um e outro esturro de onça. Chegou na primeira seringueira com o coração em tempo de pular do peito. Em outras estradas o corte tinha seguramente começado. Os dedos adormecidos em contato com as tigelas no fundo do saco. Riscou a faca na casca da árvore e o leite desceu cheiroso. Absorvia pensamentos infantis, mas tinha pressentimentos adultos, ruins. Tirou a farinha do saco e comeu como se quisesse se empanzinar. Ouviu um grito perto, respondeu. Não demorou chegar por trás dos arbustos o Marçal. Era o seringueiro mais perto de sua estrada. Gosta dele, se bem não tivesse motivo algum para gostar de alguém. (1982, p. 119)

 

Ainda há pouco, a respeito dos personagens de Chavascal, falei em “monstros morais, deformados interiormente”. Em Terra firme, passado num seringal, embrutecidos pela solidão da floresta, os personagens são ainda mais extremados, do ponto de vista ético, e têm consciência disso. Uma personagem, o velho Creto, nos diz o seguinte:

 

Às vezes me inclino em acreditar no demônio só. Demônio deve de ter manhas sem conta. Deus, na briga que lá eles tiveram, perdeu a luz e deve de ter tido um fim, pois o bom não existe e quando se mostra é em manhazinha para engabelar gente mortal. (1982, p. 30-31) 

 

A ideia do bem não existe; só o mal subsiste no mundo. O que me remete àquela personagem de Dostoievski, autor muito querido para Antísthenes, que proclamou: “Se Deus não existe, então tudo é permitido”.[1] Para o velho Creto, Deus perdera a luz e perdera a luta do bem contra o mal. L. Ruas, meu professor de filosofia, poeta brilhante, no ensaio “O mundo ético-religioso de Terra firme”, faz uma análise irretocável da trajetória daquelas personagens, relacionando sua descrença no bem à ausência da cultura religiosa.

 

A vida na selva continua. O mundo continua e neste mundo e nesta selva continuam as duas sementes de Dico e de Argina, as duas sementes do Homem e da Mulher: Leocrísio e Jumas, o Bem e o Mal. Mas um Bem acovardado, fraco, incapaz de vencer, incapaz de lutar, incapaz de triunfar; e um Mal forte, vigoroso, triunfante, espalhando, por toda parte, o vento destruidor da dor, do ódio e da morte. (...) Um mundo sem Deus, sem Fé, sem Esperança, e sem Caridade. Uma selva embrutecida e embrutecedora, um mundo que é a própria Cidade do Demônio. (RUAS, p. 154) 

 

É uma tendência da literatura que se produz na região assumir posições antagônicas: ora o edenismo, que vislumbra no espaço amazônico o paraíso mítico-religioso, popularizado na Bíblia, e que muitas vezes pauta-se unicamente pelo exotismo; ora o infernismo, que, pelo contrário, revela o espaço opressor – impenetrável, cruel, arquetípico. Esta é a opção de Antísthenes Pinto: o desencanto para com o futuro daqueles que vegetam nos grotões amazônicos. Terra firme ganhou o Prêmio Governo do Estado do Amazonas, de romance, em 1968.

A solidão e os anjos, de 1976, trata de um tema inusitado: a perfuração de poços de petróleo na fictícia Nova Ofélia, pela não menos fictícia Petromar. O petróleo seria a redenção daquela gente, mas a miudeza dos acontecimentos, o dia a dia massacrante e a frustração pela busca que se revela infrutífera, vai, aos poucos, triturando o que havia de razão naqueles seres desesperançados. A gente estranha que introduz novos hábitos na cidade deixa para trás toda uma história de vida e vai aos poucos se metamorfoseando – e aos nativos – naqueles monstros morais a que já nos referimos. E mais uma vez, ao concluir a leitura de um romance de Antísthenes Pinto, ficamos com aquela sensação de culpa, aquela ideia de que é preciso não se entregar, é preciso reagir contra o monstro totalitário – aquele que nos quer, a todos, dizendo sempre sim! Há nos romances de Antísthenes, ao lado das cenas fortes de violência – violência física, violência moral – uma mensagem implícita, que rejeita qualquer maniqueísmo: o mal triunfará enquanto o bem for fraco. Aliás, sendo fraco, o bem é apenas parte do mal. A solidão e os anjos ganhou o Prêmio Prefeitura de Manaus de 1976, de melhor romance.

Várzea dos afogados, romance que chegou à terceira edição, fala do drama de uma família e sua trajetória das barrancas do Amazonas até a total decomposição na periferia de Manaus. Tanto do ponto de vista formal como de conteúdo, Várzea dos afogados é uma síntese das narrativas anteriores – onde o homem é sempre vencido pela natureza – inclusive a natureza urbana. Com Várzea dos afogados, Antísthenes dava por concluída, no plano da prosa de ficção, sua imersão no universo regional.

A novela seguinte, Os agachados, de 1985, traz uma ambientação psicológica bem diversa daquela a que nos acostumáramos nas narrativas anteriores: num clima de pesadelo, ele acompanha a trajetória de Rinaldo e a rotina dos botequins de Manaus e seus frequentadores. Novamente, Antísthenes sai do lugar-comum da narrativa realista-naturalista experimentando com a linguagem, ousando e mantendo-se antenado com o que se fazia (e se faz) de mais atual na literatura brasileira. Os agachados fora agraciado com o Prêmio Suframa de Literatura de 1984.

Por fim, temos a novela Porão das almas, publicada em 1992, sem dúvida, sua obra-prima narrativa. Um menino de 13 anos, Bores, habita o porão de uma velha casa, decadente em todos os aspectos, em uma bucólica Manaus, hoje apenas imaginada. O pequeno Bores, de saúde frágil, convive com os fantasmas que lhe frequentam o sórdido porão, mas também com os fantasmas de carne e osso que transitam à luz do dia pelos corredores sombrios do sobrado: as tias infelizes, o pai, uma ruína moral, a mãe anulada, o irmão suicida, e a louca Matilde, apaixonada por Bores. Explorando os limites do paradoxo, a tragédia que se abate sobre a família de Bores representa a sua redenção. Fazendo uso da técnica cinematográfica, a narrativa se estrutura em quadros que, quando não fechados, completam-se ou explicam-se logo adiante. A simplicidade da trama, aliada à mediocridade e ao ridículo que esmagam as personagens, lembra de imediato dois gigantes, quase sempre esquecidos: o brasileiro Dionélio Machado e o russo Anton Tchekhov. Mas são meros pontos de referência: Antísthenes Pinto basta-se em si mesmo.

A palavra-chave que sobressai nas narrativas analisadas é solidão. A solidão que embrutece até aos limites da loucura os personagens de Chavascal e Terra firme, isolados do mundo pela floresta inexpugnável e competindo ensandecidamente entre si – uma metáfora para a própria vida urbana que se desenha cotidianamente diante de nossos olhos. A solidão, já explícita desde o título, dos personagens de A solidão e os anjos, que se movimentam entre nada e coisa nenhuma, como diria Pessoa. A solidão do ribeirinho de Várzea dos afogados, que migra para a capital e aqui vê-se absurdamente sozinho – sem amparo nem mesmo da justiça, que deveria ser igual para todos. A solidão dos deserdados, da novela Os agachados, que vagueiam pelas noites de Manaus – e nada encontram além da própria sombra ou das sombras de seus fantasmas. A solidão do pequeno Bores, de O porão das almas, que, a despeito de viver num casarão cheio de gente, é um solitário que só se redime na tragédia que destrói sua família, e da qual ele é o único sobrevivente.

Há em Antísthenes Pinto, como observou o saudoso L. Ruas, a propósito de uma personagem de Terra firme, uma opção ética – e estética, eu acrescentaria – pelo mal, pois é mostrando o mal em toda a sua dimensão, sem subterfúgios, que nos incomodamos, que nos reconhecemos e fazemos nossa opção. Um trabalho de artesão, esse – compor ao longo de três romances e três novelas um entrançado de maldades e entregá-las ao julgamento de leitores que possam discernir, separar – pois é esse, essencialmente, o trabalho do crítico.  Georges Bataille, na série de ensaios que publicou sob o título A literatura e o mal, afirma que  

 

A literatura é comunicação. A comunicação impõe a lealdade: a moral rigorosa, neste aspecto, é dada a partir de cumplicidades no conhecimento do Mal, que estabelecem a comunicação intensa. A literatura não é inocente, e, culpada, ela enfim deveria se confessar como tal. (p. 10)

 

A literatura consciente e consequente, não alienada, tende a mostrar o mal de forma expressionista, desmedida, para assim denunciá-lo: a poesia de Baudelaire e Augusto dos Anjos; as narrativas de Kafka e Graciliano Ramos; o universo trágico de Nelson Rodrigues e Plínio Marcos – são representantes dessa literatura que, centrada no mal, repercutem com o sentido inverso, porque ao leitor é dada a oportunidade da escolha. Antísthenes Pinto, deliberadamente, faz essa escolha: sem nenhum maniqueísmo, ele nos conduz ao supremo maniqueísmo, não nos deixando opção – sua “estética do mal” era um hino ao bem. Engraçado é que só agora percebi isso; quanta discussão teríamos tido, se eu tivesse percebido essa “estética do Mal” no seu tempo devido... Será que o bom Antísthenes concordaria com ela?

 

VII

Transitando das mais radicais experiências poéticas da segunda metade do século XX até a ficção de traço “regionalista”, Antísthenes Pinto deixou um rastro de luz a iluminar a literatura amazonense. Esse legado, coligido em 18 livros, ainda está por merecer a atenção de estudos mais profundos.

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

Básica

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______. Curvas do tempo. Manaus: Edição do Autor, 1984.

______. Os agachados. 3. ed. Manaus: Casa Editora Madrugada, 1993.

______. Poesia reunida. Manaus: Edições Puxirum, 1987.

______. Porão das almas. 2. ed. Manaus: Valer, 1999.

______. Terra firme. 2. ed. Manaus: Casa Editora Madrugada, 1982.

______. Várzea dos afogados. Manaus: Edições Governo do Amazonas, 1981.

 

Geral

BATAILLE, Georges. A literatura e o mal. Tradução: Suely Bastos. Porto Alegre: L&PM, 1989.

BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. 37. ed. São Paulo: Cultrix, 2000.

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RUAS, L. O mundo ético-religioso de Terra Firme. In: PINTO, Antísthenes. Terra firme. 2. ed. Manaus: Casa Editora Madrugada, 1982.

TUFIC, Jorge (Org.). Pequena antologia Madrugada. Manaus: Edições Madrugada, Sergio Cardoso & Cia, 1958.

 



[1] Muito difundida, Dostoievski jamais escreveu essa frase. Trata-se, entretanto, da paráfrase de uma passagem de Os irmãos Karamazov (1995, p.160), sintetizada na fórmula que se tornou famosa.