Amigos do Fingidor

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Sob a concha da panacarica – estudo 5/8



Zemaria Pinto

 

 

A descrição e o ambiente amazônico

 

Sob a concha da panacarica apresenta, em quase todos os contos, um ponto em comum: a descrição do ambiente amazônico, da natureza, embora tal abordagem subordine, por vezes, a estrutura do conto, já que a descrição não é, propriamente, característica dessa modalidade narrativa.

Esses contos, conforme classificamos anteriormente, que tratam dos aspectos típicos, ou seja, dos usos e costumes regionais, podem ser chamados de regionalistas. Vejamos alguns exemplos.

No conto que dá título ao livro, assim começa o narrador:

 

A “Ituí” singrava as águas mansas do Solimões, naquela tarde, sem ocorrência de vento. Por isso o sol chegava mais ardente, mais cáustico, insuportável quase.

Sob as coberturas improvisadas das canoas maiores que a lancha arrastava penosamente, agrupavam-se integrantes do naipe feminino, para conversas infindáveis.

Os homens, estes, pulando de canoa em canoa iam reunir-se embaixo das toldas de pequenos batelões, para a satisfação do vício de enfadonhas partidas de dominó.

 

No conto seguinte, A última pesca, o narrador utiliza-se de quase metade do conto para descrever o ambiente, a pesca. Ilustremos com o segundo parágrafo:

 

Amanhecia. O sol de verão banhava de luz a extensa lâmina líquida que se descortinava a perder de vista e tingia de verde o cobertor denso da galhada exuberante das muitas e variadas espécies vegetais que compunham o igapó. Remando, mansamente, para não furar o silêncio da manhã que despertava, vestida da magia de cores vivas e para não espantar os peixes que iniciavam a faina de todos os dias (a busca de alimentos), dirigiu-se a uma enseada e aproou a frágil montaria numa vaga entre os troncos nodosos de imensas árvores varzeanas banhadas de enchente.

 

Somente a partir da metade do quarto parágrafo é que trata do personagem em si, seus pensamentos:

 

(...) O tucunaré riscou a água, na ânsia de fugir, mas o pescador, experimentado, logo o dominou. Por momentos admirou o belo exemplar. Sorrindo devolveu-o a água. Naquele dia não queria tucunaré, seu objetivo era tambaqui.  Afastou-se e foi fazer hora à sombra de frondosa mungubeira. E ali, em compasso de espera, deu asas à imaginação, voltando ao passado que, afinal, não estava tão distante.

 

São apenas exemplos. O leitor pode exercitar-se anotando outras recorrências da ambientação amazônica, predominante em todo o livro.

 

Língua, linguagem e estilo

 

A linguagem do texto em prosa deve primar pela objetividade, por isso o narrador deve utilizar, principalmente, a linguagem denotativa (que é a linguagem encontrada nos dicionários). Apesar disso, temos como característica da verdadeira obra literária, mesmo em prosa,  a utilização da linguagem figurada, o emprego de metáforas (e assim poderemos enquadrá-la  como essencialmente artística).

No livro em estudo, a linguagem metafórica é uma constante, por vezes sutilmente apresentada, e integrando quase sempre os personagens à natureza, como nos contos trabalhados a seguir.

Morte – Em A última pesca, a morte da esposa traidora e de seu amante  é apenas sugerida:

 

Ao passar pelo quarto percebeu que a porta estava entreaberta. Olhou com indiferença. Viu um monte de lençóis brancos. Engraçado, não se lembrava de possuir lençóis brancos com aqueles florões vermelhos, grandes como manchas...

 

Mais adiante, a morte é apresentada como a Iara, uma Iara com o rosto da esposa assassinada:

 

Ah! Era a Regina, sim, e continuava a chamá-lo com gestos de paz e sorrisos de amizade. Eugênio acenou-lhe, sorrindo também, desejoso do reencontro. Ergueu-se.  Firmou-se no banco da canoa, e com um grito de satisfação atirou-se nos braços de Regina, no meio da estranha piscina, com jeitos de eternidade.

 

A água é seu túmulo, um instrumento da morte.

Também em O delito da bondade, a morte apresenta face distinta. Aqui tem asas, numa clara  referência romântica de liberdade, um voo livre:

 

(...) os pássaros iniciaram a festa da colheita fácil, sanhaçus, pipiras e sabiás à frente; os papagaios voltaram em bandos... E, de repente, o velho Zeca se sentiu entre eles. E voou, como seu pai, o velho Santos o fizera, anos antes, para os confins da eternidade.

 

 Na narrativa que tem o título No igarapé, o riacho que testemunha a  violação da jovem Judite, assim como ela, torna-se maculado, e o lugar, outrora cheio de vida, transforma-se em desolação. A constatação é da própria Judite:

 

Ela, também, murchara. O frescor da juventude atiçado pela força telúrica emanada daquele conjunto nativo, deixara de alimentar-se dos fluidos secretos da natureza palpitante. E os pés descalços que outrora se banhavam de santo orvalho fresco, durante as caminhadas matinais, cobriam-se agora de cinza escura e feia das queimadas repetidas.

 

Ora, se em A última pesca a água é um instrumento da morte, o túmulo do pescador, também em No igarapé é elemento de morte, mas aqui aproveitada em um de seus melhores símbolos: a morte em plena juventude e beleza. E é a ingênua Judite que morre, maculada pelo algoz, e só ressurge ao conceder o perdão ao violador. 

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Homenagem a Luiz Bacellar


Pela passagem de um ano de seu falecimento, ocorrido no último dia 09/09, amigos próximos do poeta farão uma homenagem a ele.
Mas atenção: trata-se de um evento fechado, exclusivo, bem ao gosto do Visconde, regado a vinho e paella.
Nada de políticos oportunistas. Nada de poetas medíocres. Nada de cantores mixurucas.
Nada de artistas meia-boca.
Parafraseando Américo Antony, a quem o Bacellar sempre citava:
ou é muita Arte ou muita porrada!



PS: para quem não entendeu a piada com o endereço, Visconde de Monte Alegre era o título nobiliárquico de Dom Luiz.
Sorry, periferia!

Inédito: Poesia Reunida de L. Ruas

 

A doença como mal: tornando visível o invisível


 
João Bosco Botelho

 

            O corpo, visto e sentido como expressão de vida, impulsiona o ser, pensante e finito, a buscar explicação das mudanças nele produzidas, interpretando‑as como antecipação da morte. 

            Ao chamarmos “paciente” o homem doente, para diferenciá‑lo do sadio, é inevitável aceitar dupla emoção determinada pelo choque entre o real e o imaginário, causada pela consciência da doença em si mesma. A primeira, realçada pelo visível e relacionada à enfermidade (tumor, mancha etc.) e a segunda, fruto do exercício mental, procurando interpretar a alteração visível no corpo.

            A experiência ou a possibilidade de sentir dor, serve como exemplo. O desconforto doloroso é o componente real. A explicação dela, nascida no sofrimento, é profundamente mesclada pelas raízes socioculturais integrantes do imaginário do doente.

            O conjunto simbólico, ainda sem explicação neurofisiológica finalizada, trabalha para dar sentido e unir o objetivo ao subjetivo. Essa complexa elaboração cerebral utiliza mecanismos cere­brais ainda muito pouco conhecidos, capazes de engendrar respostas mentais intimamente relacionadas com o universo mítico do doente.  O processo fisiológico determinado pela dor, invisível, acaba consoante à mitopoese (mecanismos socioculturais que criam os mitos).

            Entre as muitas respostas para superar o sofrimento, está a organização do MAL, formando a objetividade da doença como pre­cursora da morte. Assim, é viabilizada a resposta fundamental do corpo para entender a doença: o invisível se torna visível!

            De maneira semelhante, a saúde é transformada em BEM e colo­cada em oposição frontal à doença como MAL.

            O movimento dialético entre ser e não‑ser (aqui compreendi­dos como correspondentes aos binômios saúde e doença, vida e morte) se faz sempre vinculado às forças contrárias (cósmicas, morais e naturais) que se opõem ao ideal do projeto existencial ou da ordem ético‑social.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Fantasy Art - Galeria

The empress.
Pascal Blanché.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Platônica XII



Zemaria Pinto

 

E assim se passaram 12 meses, descontados aqueles 174 dias que se seguiram ao teu estúpido atropelamento. Sou tautológico: todo atropelamento é estúpido. Mas não percamos tempo falando sobre o que passou e sobre o que já lamentamos bastante. Os abutres te cercaram o quanto puderam, mas foram denunciados de público e enfiaram o rabo peludo entre as pernas tortas.

A magnífica, que te sucede na academia de letrinhas, está sem tempo para te encarar, adiando a posse, que deverá ser uma peça de péssimo humor. Com aquela loirice vampiresca, a magnífica é capaz de fazer carreira no gênero stand up comedy. Afinal, ela não será eterna na sua reitorice: é preciso pensar no futuro, e ser professora não é futuro para ninguém. Tu, professor, sempre o soubeste.

Tenho uma novidade: o Hiram emprestou-me um número da serrote, acho que o 11. Uma descoberta, rapaz. Assinei da 12 em diante, comprei o 1, pela Estante, e o Mauri repassou-me os números 2 a 4, que tinham sidos teus. Fico me devendo do 5 ao 10, sem pressa. Já estou no quarto número, aquele que tem o “comunista” Terry Eagleton falando sobre fé e razão, fazendo a defesa da... fé. Que mundo doido, bicho.

Quem sempre pergunta por ti é a D. Clara. Sabes que ela é clarividente? Sem trocadalhos, cliro. Mas ela diz que conversa contigo. Não é maluca? Não fosse dada à culinária, D. Clara bem que podia ser ficcionista. Aliás, uma outra tem tudo a ver com a coisa, sim. Tu mesmo dizias que, antes da tua poesia, serias conhecido pelos teus pratos. Ah, aquela “pescada aberta ao poeta”, nunca mais...

No cinema não tens perdido muita coisa. Salvo o Django, do Tarantino, de quem não gostavas mesmo, só bobagens adolescentes e super-heróis broxados, além das comédias cada vez mais idiotas de sempre. Sentirias saudades dos Trapalhões. Ou dos Três Patetas, o que dá no mesmo.

Bacana foi ver o povo indo pra rua há uns meses. Sem objetivo nenhum, claro. Ou com todos os objetivos do mundo, o que é pior. Mas o povo na rua é mais bonito do quem em casa, idiotizado diante da televisão. Mas engraçados mesmo eram os editoriais. Todo mundo a favor da “mudança”. Até a Veja, a Globo e A Crítica. Lembrava aqueles monarquistas apoiando a república do marechal: “é preciso mudar para continuar como sempre foi”.

No último dia 30, a Panelinha reuniu-se. Era o teu aniversário e o da Koia. Desnecessário dizer que a conversa girou, durante horas, sobre as tuas peripécias verbivocovisuais, como diriam os Campos. Não, não é provocação. Aliás, acabei de ler uma antologia “pessoal”, “de Safo a Apollinaire”, em tradução do Pignatari. Uma graça. Imagina o Anacreonte, a Safo ou o Horácio falando gírias contemporâneas. Catzo! Irias adorar.

Ah, rapaz, dia destes estive com o Thiago. Do jeito dele, ele te ama. Uma furtiva lágrima escapou-lhe ao recitar um poema do Quatro Movimentos – “O meu verso é um fragor: desmoronar-me sinto quando escrevo.” É de se acreditar naquele aforismo que ele repete com insistência: “A amizade é a mais alta forma amor.”

Assino embaixo, e me despeço.

Até breve, Dom Luiz.

 

domingo, 8 de setembro de 2013

Manaus, amor e memória CXXIV


Praça Tamandaré.
Talvez, futura praça. Ou ex-praça.
Sei lá.

sábado, 7 de setembro de 2013

Fantasy Art - Galeria


Shandara.
Bruce Pennington.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Sob a concha da panacarica – estudo 4/8


Zemaria Pinto

 

3 – Contos com declaração inicial

 

Apresentando características tradicionais dessa modalidade narrativa, relacionamos, aqui, dois contos que têm uma declaração, uma exposição introdutória, que corresponde ao motivo do conto, uma explicação necessária que atrai o leitor para o desenvolvimento da narrativa. O foco narrativo é em 3a pessoa.

A feia – A apresentação é feita pelo narrador, que conversa com o leitor sobre as estrelas de ficção, quase sempre belas e elegantes. Após essa introdução, conta-nos a história de Maria, a feia. César, galã de plantão, é cobiçado por todas as moças do lugar, sendo, também, objeto de desejo da feia. O moço adoece, as pretendentes e até a namorada da vez, Zilma, desaparecem. Somente Maria cuida, juntamente com a empregada Izabel, do enfermo. Ao sarar, o jovem é prestigiado com uma festa, na qual, para surpresa geral, pede a feia em casamento.

Por vezes, o narrador demonstra afeição pela feia, chamando-a de Mariinha. Tal afeição, também, é demonstrada pelo final feliz da personagem.

Quando as árvores falavam... – O narrador apresenta o título, comentando conosco que

 

Agora, queremos abordar, apenas, a questão da comunicação entre as árvores.

 

Em seguida, conta-nos o relato atribuído ao ermitão Antíquos, que entendia a linguagem das árvores: um triângulo amoroso entre castanheiras. Árvore nova prometida ao velho castanheiro prefere outro castanheiro mais jovem, que a deflora; o velho, porém, como vingança, fecunda-a através de abelhas que carregam seu pólen, depositando-o na jovem.

Não fosse o conteúdo pouco convencional, digamos erótico, o conto tomaria feição de inocente história infantil, muito distante de nós: “era uma vez, no tempo em que as árvores falavam...” 

 

4 – Conto com foco narrativo em 1ª pessoa

 

Neste quarto bloco, relacionamos o conto intitulado Curiós, único em todo o livro com narrador em 1ª pessoa.

Curiós – O narrador testemunha o amor entre curiós, o canto maravilhoso do macho, a dedicação da fêmea:

 

Vi-o, pela primeira vez, numa manhã de sol brilhante, quando adentrei a capoeira para colher maracujás...

 

O macho é capturado e é com enorme sofrimento que a fêmea cuida dos filhotes:

 

Dava pena vê-la, saltitante, sempre piando uns piados langorosos, feitos de saudades, enquanto apanhava sementes para os filhotes.

 

Consumida pela tristeza, a ave morre. O macho consegue fugir de seu cativeiro e busca por sua companheira, mas

 

Num dado momento, cortou o seu belo canto pelo meio. E caiu. Corri a acudi-lo: estava morto. Um filete de sangue escorria-lhe do bico, manchando de vermelho as penas da pardinha, espalhadas pelo chão.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

MemoCult/UEA promove ciclo de encontros culturais na Academia Amazonense de Letras



Juliana Sá

 
Você já parou pra pensar como algumas obras, de tão originais, adquirem vida própria? Nessas “obras” há algo essencial que as diferenciam de outras do gênero, trilhando um caminho de sucesso muitas vezes inesperado pelo(s) autor(es) que as conceberam. Obras como La Gioconda, D. Quixote, o boi-Bumbá de Parintins e mesmo obras “acidentais” como o popular restauro do “Ecce Homo” da Igreja de São Borja, na Espanha, (por que não?) atravessam meses, anos, séculos e se fixam no imaginário de diferentes públicos e gerações. O que haverá de tão especial nestas obras? O que as torna emblemáticas de uma cultura, de uma civilização, de um público específico?

Buscando respostas a algumas dessas questões, o grupo de pesquisa Investigações sobre Memória Cultural em Artes e Literatura (MemoCult/UEA), que vem estudando as mais diversas formas e fontes de arquivo artístico e cultural, em parceria com a Academia Amazonense de Letras (AAL), realizará a cada mês um encontro para debater as trajetórias de vida de nove obras (literárias, artísticas, culturais) de abrangência local ou global.

Intitulado “A vida de uma obra:”, o projeto busca contribuir para a discussão sobre arte e cultura na cidade e reforçar os laços entre o conhecimento acadêmico – sobretudo aquele produzido no âmbito do Programa de Pós-graduação em Letras e Artes da UEA – e o conhecimento da sociedade em geral.

O projeto será desenvolvido na forma de um ciclo de nove encontros, previstos para ocorrer sempre na segunda quarta-feira de cada mês na sede da ALL, em Manaus, no decorrer de 2013-2014. A ideia de cada encontro será discutir um tópico da produção histórica e cultural da sociedade local e/ou global que possa ser entendido como “obra” – seja de produção individual, seja coletiva. As obras selecionadas privilegiarão diversas fontes artísticas e culturais, tais como cinema, literatura, dança, teatro, música, festas populares, espaços urbanos, etc.

O elenco prévio das obras de cada mês está assim distribuído: Frauta de Barro (setembro), Guernica (outubro), Cidadão Kane (novembro), Cultura Maku (dezembro), D. Quixote (março), Bíblia (abril), ópera Jara (maio), Boi-bumbá de Parintins (junho) e Candomblé (julho). Cada encontro será dirigido por dois palestrantes, que abordarão uma obra específica, dando duas visões diferentes sobre esta, centrando-se na história dessa obra, sua trajetória pública, sua recepção, sua vida enfim.

Além de estudiosos de cada obra específica, o público de cada edição também será convidado a dar suas contribuições ao debate. Como obras abertas que são, todo tipo de conhecimento que se tem sobre elas – mesmo que modesto – será indispensável para que se compreenda, o mais amplamente possível, quão variados são os olhares de público e crítica e quão múltiplas as fontes de saber sobre um mesmo produto.

A obra eleita para o primeiro encontro do projeto é “Frauta de Barro”. Publicada em 1963, a obra inaugural do poeta amazonense Luiz Bacellar já conta com sete edições. Em 50 anos de existência, não faltam causos curiosos a contar sobre a vida de “Frauta”, de seu lançamento às controvérsias envolvendo suas últimas edições. Para debater sobre uma das principais obras poéticas produzidas nos últimos 50 anos no Brasil, nesta edição contaremos com a presença do poeta Elson Farias e do coordenador do projeto, Prof. Allison Leão, na direção do debate.

O encontro será realizado no próximo dia 11/09, às 18h30min, na sede da Academia Amazonense de Letras, em Manaus. A entrada será gratuita e a participação aberta a todos os públicos. A ALL fica localizada na Av. Ramos Ferreira, 1009 – Centro. Saiba mais no endereço: https://www.facebook.com/avidadeumaobra.

Contatos:

Prof. Allison Leão: (92) 8116-6447 – coordenador do projeto

Juliana Sá: (92) 8206-1084 – mestranda, integrante do projeto

Práticas médicas pré-colombianas




João Bosco Botelho

 

ASTECA

            A civilização asteca utilizava as ideias e crenças religiosas na explicação e no tratamento das doenças. A doença era considerada o desequilíbrio entre o bem e o mal, em cujo tratamento deveria haver participação de deuses. As principais divindades eram: deusa Tlazolteotl, que penetrava nos homens fazendo-os se contorcerem de dor; deus Xochiplli, protetor da vegetação e da fertilidade e o deus Xolótl-Nanavatzin, torturador dos homens com doenças ligadas à sexualidade.

            As práticas médicas astecas utilizavam largamente o cacto peyotl no tratamento da dor. Sabe-se que esse vegetal contém a mescalina: alcalóide alucinógeno e anestésico.

            Talvez pelo uso do anestésico, houve progresso na arte cirúrgica. Existem várias comprovações arqueológicas de amputações dos membros e craniotomias (abertura dos ossos do crânio), semelhantes às encontradas nas comunidades pré-históricas, que viveram há 10.000 anos.

A cidade de Tenochtitlán, na época da chegada dos espanhóis, dispunha de vasta rede de esgotos e banheiros públicos. Os mortos eram queimados ou enterrados fora dos muros das cidades e cada quarteirão era responsável pela limpeza e higiene das casas.

A primeira epidemia registrada, resultando na morte de milhares de indígenas, foi causada pela varíola trazida pelos espanhóis.

Entre centenas de manifestações artísticas existentes, principalmente no museu antropológico do México, encontramos em pequenas estatuetas de argila detalhadas quadros clínicos, entre eles, tumor de órbita, amputações, defeitos congênitos, doenças da pele e deformidades ósseas e musculares.

 

INCA

Diverso da civilização asteca que teve os registros escritos destruídos pelo conquistador europeu, os incas não dispunham da escrita. O envolvimento religioso nas práticas médicas da civilização inca se evidencia pelos achados de estatuetas de argila e desenhos rupestres nas ruínas encontradas no altiplano boliviano.

A crença de que os pecados eram as causas das doenças dominava os incas tanto quanto os astecas. As doenças eram o castigo dos deuses que, simultaneamente, exigiam sacrifícios, orações e confissões. Sem dúvida, apesar de terem sido realizados, o sacrifício humano não atingiu as proporções encontradas entre os astecas.

O conhecimento que os incas tinham das ervas medicinais chegou a impressionar os espanhóis, com destaque aos coletores de plantas medicinais e os boticários ambulantes que levavam à população as ervas secas e outros medicamentos de origem mineral.

Duas dessas plantas tiveram notável sucesso na medicina ocidental nos séculos seguintes: a quinaquina (Myroxylon peruiferum), cujo óleo era empregado no tratamento das feridas e que ficou conhecido nas farmácias da Europa como o “Bálsamo do Peru”, e a coca. O principal alcaloide retirado das folhas da coca, a cocaína, se tornou a base da anestesia local em todo o mundo, até os anos 1920.

Importantes representações em forma de pequenas estatuetas de argila com clara evidência de amputações dos pés e das mãos sugerem que foram práticas deliberadamente com objetivo terapêutico.

Em antigo cemitério inca, foram encontrados centenas de crânios trepanados, datando de aproximadamente 1000 anos. O estudo arqueológico mostrou que são semelhantes aos encontrados em diversos pontos da Europa. Como as cirurgias realizadas no Neolítico, a maior parte sobreviveu muito tempo após à intervenção cirúrgica.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Fantasy Art - Galeria


Arbóreas.
Alex Alemany.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Lábios que beijei 1


Zemaria Pinto
Emília


Emília foi meu primeiro amor. A primeira mulher que toquei – a mão de dedos fechados seguros pela sua mão direita. Emília não tinha igual – branca de leite, cabelos amarelo-fogo, voz de clarinete: aguda, profunda e aveludada. Emília foi meu primeiro desejo: seus lábios finos, sob o luar, como na valsa que ainda hoje ecoa em minha mente – imagem imaculada, em minhas retinas cansadas. 30 anos depois reencontrei Emilia, o meu primeiro amor – e nos amamos novamente, bêbados de desejo. 40 e tantos outros anos passados, só lembro com nitidez a sua mão direita conduzindo-me pelas ruas esburacadas de uma cidade destruída. As mãos brancas, os cabelos de fogo, a voz de metal. Emília, nove anos, uma mulher. Eu, apenas o que restou de mim.  

Lábios que beijei – explicação necessária


Zemaria Pinto


Este é um work in progress, como diriam os pedantes sobre um trabalho em construção. Ele é irmão gêmeo de Drops de pimenta. Mas são bivitelinos: se este contém diálogos da solidão, Lábios que beijei são monólogos na multidão, o primeiro na forma de nanocontos, o segundo de microcontos.

Assim como Drops de pimenta são os diálogos de Mirinha e Joca, estes monólogos são conduzidos por um narrador sem nome, de idade incerta, mas conscientemente envelhecido – mais de 80 anos, certamente. A pouco tempo de não ter mais tempo, ele faz um inventário de momentos felizes, a maioria, junto a alguma dor, de feridas cicatrizadas. Ele relembra as mulheres de sua vida, desde a infância, sem ordem cronológica ou de preferência amorosa: algumas já não têm mais nomes, outras tantas já não são mais que lembranças; umas e outras, apenas sobras de recordações, sombras de uma história que chega ao fim. Mas este não é um livro triste. É um livro de amor. Amoramaro. O amor que poderia ter sido e que não foi – ou porque era muito cedo ou porque era tarde demais.

OBS1: Um tributo a J. Cascata e Leonel Azevedo, autores da valsa imortalizada por Orlando Silva no mesmo ano em que o narrador conheceu a sublime Emília – “branca de leite, cabelos amarelo-fogo, voz de clarinete.”

OBS2: Os microcontos de Lábios que beijei serão publicados sempre na primeira e na terceira segunda-feira do mês – e, se houver, na quinta segunda-feira, também.

OBS3: Esta é uma obra de fricção e de ficção. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas será uma feliz coincidência – afinal, se a vida imita a arte por que não haveria a arte de imitar a vida?

domingo, 1 de setembro de 2013

Manaus, amor e memória CXXIII


Reclame da Drogaria Universal.

sábado, 31 de agosto de 2013

Fantasy Art - Galeria



Metal Knights World of Forever.
Sandra Chang.



quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Sob a concha da panacarica – estudo 3/8


Zemaria Pinto

 

 

2 – Contos apresentados em sequência linear

 

Neste bloco, relacionamos sete narrativas que têm uma estrutura aparentemente simples: são fatos e cenas que vão surgindo em frente ao leitor, linearmente. O foco narrativo é em 3ª pessoa. 

O curandeiro – Epitácio é o rico marido de Júlia. Seu sonho de varão é ter filhos, mas acha que a mulher não é fértil. No entanto, através de exames, constata-se que não é da moça o problema. O marido recusa-se a procurar um médico e reconhecer-se estéril. Assim, recorre a um curandeiro. Este, entretanto, como não poderia deixar de ser, é um charlatão que embriaga as clientes e submete-as sexualmente. Por alguns dias, repete-se o ritual para que Júlia engravide. Esta, bastante desconfiada, acaba descobrindo o que acontece quando, supostamente, dorme durante os encontros. Descobre também que tudo é filmado pelo charlatão, roubando a fita que mostrava seus encontros.  Quando se dispõe a desmascará-lo, já não encontra o curandeiro e sua enfermeira, e os jornais estampam o escândalo.

Epitácio procura um médico, descobrindo seu problema, cujo tratamento é dos mais simples. O casal tem, assim, um final feliz. Júlia ficara grávida dos encontros, mas silencia sobre o ocorrido, para que sua felicidade seja plena.

A lei da selva – Gustavo perde-se na mata. Encontra uma pobre cabana e é acolhido pelo casal Tião e Zefa. À noite, aparecem Chico, um antigo namorado de Zefa que não se conforma em tê-la perdido para Tião, e dois companheiros. Os amigos não esperavam encontrar o casal com visita, e, assim, Gustavo ajuda Tião a livrar-se dos malfeitores. Tião “capa” Chico, legitimando sua ação na “lei da selva”, inclusive sendo “acobertado” pela omissão dos próprios companheiros de Chico.

A narrativa mostra o choque de Gustavo, jovem urbano, com os costumes do homem interiorano; pelas descrições, podemos classificar o conto como regionalista. 

A sonâmbula – Noronha é um regatão solitário. Um grande amigo seu, coronel Saldanha, pede-lhe que transporte uma empregada sua, Glorinha. A moça é sonâmbula e, durante os dias da viagem, mantém encontros sexuais, durante as crises de sonambulismo, com o regatão. Ao final, tendo dado à luz um menino, descobre-se que Glorinha fingia-se de sonâmbula para seduzir Noronha, pois nutria amores por este. Saldanha abençoa o casal, num final feliz.

Outro conto regionalista, sendo bastante ilustrativa a saída do cais, uma constante na vida do homem do interior do Amazonas.

O assobio – Lucinha é perseguida por um assobio que imita o seu nome. É seduzida pelo autor dos assobios, um jovem misterioso, que não se deixa ver integralmente. Descobertos, Lucinha é mandada para outra cidade, para encobrir a gravidez. Não sabe o nome do sedutor, tampouco conhece seu rosto. Ao final, descobrimos que o médico que a ajuda durante o parto é o homem amado, que era obrigado a esconder-se por estar sob suspeita de erro médico. Mais um final feliz.

Por vezes, a narrativa lembra o clássico amor de Psiquê e Eros: a jovem não sabe que o marido é o deus do amor, filho de Afrodite. Seus encontros dão-se à noite, no escuro. Seduzida pelos conselhos invejosos das irmãs, Psiquê trai o amado, iluminando seu belo rosto. Descobre, assim, a identidade e o rosto do marido, mas é condenada, por isso, ao abandono, até que o deus, certo de que a desobediência fora expiada, a toma definitivamente como esposa.

O sonho de Ana Maria – Ana Maria é moça do interior, cansada da monotonia do lugar, almejando sair do isolamento em que vive. Janice é uma amiga que aparentemente vence na cidade grande. A convite desta, viaja para a cidade. Descobre, então, que a amiga está envolvida, na verdade, com prostituição, e, dignamente, repudia um pretendente e volta para sua casa no interior.

Marcos, o pretendente repudiado, na verdade, está disposto a casar-se com a jovem e vai atrás dela, comprando uma fazenda próxima à casa de Ana Maria. Final feliz, o casal é abençoado pelo pai da moça.

O conto trata, assim, de um problema – ainda – existente na vida do interiorano, no choque com a dita cidade grande, podendo, por isso, ser classificado como social.

O sinal – Telma tem um sinal de nascença que a incomoda.

 

Assemelhava-se a um pedaço de fita isolante, de 5 centímetros  de comprimento por dois de largura, aproximadamente. Negro, retinto e peludo. Pêlos também negros, naturalmente.

 

     Seu pai, Cincinato, aceita o convite de um amigo, Alonso, para ficar hospedado em sua casa. Fernando, filho de Alonso, enamora-se de Telma após vê-la em trajes de banho. Fernando corteja a moça e fala que somente casará com uma jovem que tenha sinal de nascença, descrevendo o sinal de Telma, que, na verdade, vira às escondidas.  Final feliz.

“Lua Nova” -  “Lua Nova” é um potro que se torna o xodó da jovem  Silvinha. O noivo de Silvinha, Juvêncio, resolve montar em “Lua Nova”, mesmo sabendo que o cavalo somente aceita ser montado por sua dona. Derrubado, Juvêncio sente-se humilhado e jura vingança. Silvinha casa-se e, por algum tempo, por causa de uma gestação difícil, é obrigada a afastar-se da fazenda e de seu cavalo.

Ao retornar, procura o animal e encontra-o quase morto, graças ao ciúme do marido. Resolve, então, dividir seus cuidados entre o filho e o quadrúpede. Ao final, “Lua Nova” salva Juvêncio, colocando-se entre ele e um touro, sendo atingido mortalmente por este, provando seu amor pela dona. 

Arqueologia da doença: macro e micro dimensão


 
João Bosco Botelho
 
 
            A principal diferença entre a prática médica oficial (autorizada pelo Estado), a empírica (resultante do conhecimento historicamente acumulado) e a divina (estruturada na fé de que a matéria, viva ou inerte, pode ser modificada pela ação divina) está assentada no fato de que a Medicina oficial molda o diagnóstico, o prognóstico e o tratamento sobre propostas teóricas.
 
               Esse conjunto histórico apresenta três momentos (ou cortes epistemológicos, na linguagem de Bachelard):
 
1.    A Teoria dos Quatro Humores elaborada pela Escola Médica Cós, da Grécia, há 2400 anos. A compreensão da morfologia da doença recebeu a dimensão do corpo. Nessa época, pela primeira vez, a doença recebeu abordagem fora do domínio transcendente da divindade;
 
2.   No século 17, quando a doença saiu do corpo para a microestrutura celular, pelos estudos de Marcelo Malpighi (1628‑1694). Estava iniciado o pensamento micrológico. Os hospitais dos países subdesenvolvidos, mesmo realizando transplantes, continuam executando a Medicina de Malpighi;
 
3.   No século 19, a genética do frade agostiniano Gregor Mendel (1822‑1844), impulsionou a passagem da estrutura celular para a molécula e inaugurou a mentalidade molecular. O fruto final deverá ser a completa compreensão dos genes, não só a simples identificação gênica do projeto Genoma. Apesar da extraordinária importância, o projeto genoma só mapeou os nossos genes, muito distante da futura compreensão de como eles funcionam inter-relacionados com a diversidade dos seres viventes.
 
            Mesmo com os avanços da melhor compreensão da morfologia da doença, na macro e na micro dimensão, obtidos em pouco mais de dois mil anos de história, o médico sofre, no cotidiano, incontáveis dúvidas. Sem poder empurrar os limites do sofrimento fora de controle e da morte prematura, notadamente, nos cânceres e nas patologias imunomoduladas, mesmo baseados nas publicações científicas, repetem os tratamentos que oferecem melhores resultados sem oferecerem respostas satisfatórias.
 
            Essa é uma das grandes sagas da inteligência humana: continuar empurrando os limites da vida a partir do desvendar da arqueologia da doença!
 
            Como o conhecimento atual já domina parte da estrutura atômica, muito além da molécula, é claro supor que esse será o caminho da busca da origem da doença nos próximos séculos (já lastimo que não poderei testemunhar): a busca da cura entre os átomos. Sem dúvida, representará para a ciência o quarto corte no conhecimento da Medicina. É possível que teremos muitas respostas que continuam inquietando a Medicina oficial: muitas formas de cânceres e doenças autoimunes que continuam ceifando incontáveis vidas, mesmo usando toda a tecnologia disponível.
 
            Por outro lado, existem questões muito importantes não resolvidas que interligam as Medicinas oficial e divina. Existiriam, realmente, pessoas com poderes excepcionais – dom – suficientes para curar pessoas, isto é, mudar a estrutura da matéria viva fora de todas as leis físicas que regem o universo?

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Fantasy Art - Galeria


Alberto Pancorbo.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

A história da Mônica tupiniquim



David Almeida

 

O nosso país é recheado de casos de corrupção, um mais cabeludo que o outro: vergonhoso, ridículo, e, me lembrando de alguns desses casos, deparei-me com o do Renan Calheiros, que foi arrasador, foi o único que o fez renunciar do seu trono, esse que ele ocupa agora, do qual, apesar das criticas, não quer sair nem que a vaca tussa: ô carinha sem vergonha, descarado! Vamos torcer que apareça outra Mônica em sua vida, para se mostrar pelada na Playboy, e sabe porquê? Depois que a Mônica se despiu, o Calheiros pegou o seu banquinho e de mansinho saiu.

“Já tive mulheres de todas as cores, de todas as idades e muitos amores”... Mas com certeza, ele (Martinho da Vila), não teve uma Mônica em sua vida.

Ahhh, a Mônica, não! Porque Mônica, decerto, não dá casamento, nem inspiração para ninguém! E o Clinton, quando era presidente dos “States”, sabe disso.  

A história da humanidade é recheada de casos sobre mulheres que traíram homens. Veja bem, não vai aqui um endosso ao machismo enraizado na nossa sociedade desde os tempos primordiais. 

É evidente que os tempos são outros, e essa cultura machista está perdendo terreno, devido a vários movimentos de conscientização, criados mundo afora por pessoas que não pensam mais dessa maneira, porque homens e mulheres são iguais. Tem sujeito até querendo ser mulher. Não Mônica, claro! E como devemos respeitar a individualidade de cada um, é de bom tom deixar o “cabra” seguir em frente.

Só para ilustrar: Dalila traiu Sansão revelando o segredo de sua força, o que levou o mesmo a ser derrotado pelos seus inimigos.  

Em vários momentos da nossa história existem relatos que colam a palavra traição às mulheres. Injustiça ou não, em épocas dessas ocorrências, foi o que ficou registrado e seguido até os nossos dias. Infelizmente! E até hoje – não todos – o homem anda com a mulher sob a sombra da traição. Muita gente acha que é o contrário. Será, parente?

Em nossos tempos – e vai ficar para história – mais uma mulher, deu o tom da traição! Século XXI: a traição das Mônicas; do Clinton e do Calheiros, que abalaram os meios políticos, nacionais e internacionais; econômicos, financeiros, e, quem sabe, até o aquecimento global. A do Clinton foi a primeira, desse bloco, né? Já passou. Deu no que deu. Todo mundo sabe, que até o “Dólar” do Clinton caiu na “bolsa”.

Mônica Veloso! Essa é a do Calheiros, fabricação nacional: A Mônica tupiniquim. Causou o maior rebuliço na vida da nossa “incorruptível República”. Segundo denúncias, ela e sua filha recebiam mesadas pagas com propina de lobista. Foi só a ponta do iceberg num mar de lama gelado, onde Renan chafurdava, e boiando, “inocentemente”, dizia: “daqui não saio daqui ninguém me tira...” Saiu! 

E pra salgar mais ainda a Santa Ceia de Renan, a Mônica apareceu peladinha na revista Playboy. I N T E I R I N H A! Batendo recordes e recordes de vendas, nas bancas de revistas deste país tupiniquim. Todo mundo queria ver o “Partido” que era de Calheiros. “E quem não tiver nem um desejo que atire a primeira pedra”! Inclusive, atazanou a cabeça, dos nobres senadores da terceira idade, que, assanhadinhos, folheavam a revista, com olhos gulosos, de um passado já muito distante.

E o telhado de Renan, que era de vidro, se quebrou, o amor que ele tinha na propina se lascou. Essa história já passou, claro, mas se alguém, quiser um flashback, apresente uma Monica para o Renan, o povo vai adorarrrrrr!

segunda-feira, 26 de agosto de 2013



O problema de você resistir a uma tentação é que você pode não ter uma segunda chance.

(Laurence J. Peter)

domingo, 25 de agosto de 2013

Manaus, amor e memória CXXII


Vista aérea parcial de Manaus, década de 1940.
Em primeiro plano, a Catedral; ao fundo, o Teatro Amazonas.

sábado, 24 de agosto de 2013

Fantasy Art - Galeria


Renso Castañeda.