Em Cuzco, no Peru, existe um escritor que não escreve; só pinta. Ele me explica – entre baforadas de seu cachimbo e lances de tinta acrílica jogada em um quadro – os pormenores dessa sua atitude, repetindo a frase já conhecida de que “uma imagem vale por mil palavras”.
– Esses “livros-quadros” – diz – evitam termos que esperar uma edição que talvez nunca saia. E que, se sair – completou – não diga tudo.
O nome desse escritor que não escreve é Miguel e as paredes de sua casa-ateliê estão repletas de livros.
(Marco Adolfs)